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Na estrada pela fronteira #13 Guatemala

Na estrada pela fronteira #13 Guatemala
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Muito lemos sobre as fronteiras, e sabíamos que a América central tinha algumas das piores. Neste caso, ao passar do Belize para a Guatemala demoramos três horas, mas muito por nossa culpa.

Para sair do Belize tivemos que estacionar o carro, carimbar o passaporte, pagar uma taxa de quase 20 dólares por pessoa e dar também saída do carro. Foi fácil, nem quiseram ver o carro. Estava a jogar Portugal, a ganhar 2-0 e eles ficaram tão contentes por sermos portugueses que carimbaram e nem olharam. Mas ficamos com pouco dinheiro, trocamos para Quetzales, moeda oficial da Guatemala, e ficamos com 80, perto de 8 euros. Sabíamos que íamos estar tramados.

Depois passamos só por um guarda e já estamos na Guatemala. Começam logo a correr em direção ao carro uns 10 miúdos. Tivemos que fumigar o carro, uma vez mais. Já explicamos o que isso é aqui. Pagamos e vem logo o veterinário para ver a Duna. Entregamos os papéis, pede-nos cópias. Dizemos que não temos. Fica chateado mas lá cede a scanear ele os documentos, enquanto vamos pagar 25 quetzales. O nosso dinheiro ainda dava. carimbamos o passaporte, e depois passamos para os papéis do carro. Precisamos de cópias. Não temos. Tudo isto enquanto somos seguidos pelo Daniel.

O Daniel não deve ter mais de 12 anos. Diz que nos está a ajudar, que vai connosco tirar cópias. Agradecemos, dizemos que não lhe podemos dar dinheiro nenhum. Ele não desiste. Leva-nos a tirar cópias. Chegamos ao local, não há luz, não podem tirar. Diz que na vila dá. Mas temos que ir a pé, são 20 minutos, não queremos deixar a Duna. Voltamos ao veterinário, ele oferece-se para nos tirar cópias para os papéis do carro e ainda nos dá umas dicas sobre Guatemala. Entretanto o Daniel desaparece. Voltamos ao balcão com as cópias, dão-nos um papel para pagar 160 quetzales. Pronto, já não temos dinheiro. Tentamos pagar com cartão. Não dá. Temos que ir à vila levantar. Perguntamos onde é, explicam-nos. O Daniel aparece como por magia. O Ivo vai levantar o dinheiro, sempre com o Daniel a acompanhar e a contar-nos histórias. Diz que tem 16 anos, idade legal para trabalhar supomos. Que tem que pagar para estar alí e que se não fizer dinheiro nenhum tem que pedir à mãe. Perguntamos quanto pode fazer num dia. Não nos diz, pergunta-nos quanto é que ganhamos nós por dia em Portugal.

O Ivo regressa, e vou eu pagar e buscar os documentos. Uma vez mais seguida do Daniel. Damos-lhe umas moedas do Canadá, tiramos-lhe uma foto com Fujifilm Instax, que lhe oferecemos e ele fica radiante.
Seguimos viagem, o destino é uma vila antes de Tikal. Está-se mesmo a ver que já vamos chegar de noite.

 

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