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O Sul

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“Nem sempre viajei para sul, mas nada vi de tão extraordinário como o sul. O Sul é uma porta de avião que se abre e um cheiro inebriante a verde que nos suga, o calor, a humidade colada à pele, os risos das pessoas, o ruído, a confusão de um terminal de bagagens, um excesso de tudo que nos engole e arrasta como uma vaga gigantesca. Apetece fechar os olhos, quebrar os gestos e deixar-se ir.” Miguel Sousa Tavares


Os estados que se seguem depois de washigton, fazem segundo o mapa dos Estados Unidos parte do Sul do país. Percorremos Virgínia, Carolina do Norte, Alabama, Mississipi mas são mais os estados que fazem parte do “deep-south” dos Estados Unidos. Estes estados são conhecidos por serem uma região muito ligada à agricultura e consequentemente com um regime de escravatura até à guerra civil americana.


Foi quando Lincoln ganhou as eleições que os estados se uniram e fundaram A Confederação. Os que os governavam eram essencialmente contra o fim da escravatura. Durante os 4 anos de existência os estados confederados quiseram mostrar a sua independência, mas o governo central dos Estados Unidos afirmava que eram apenas estados de rebeldia. A guerra civil rebentou em 1861 e foi liderada por Robert Lee, acabando por se renderem mais tarde. Tivemos oportunidade de visitar o local onde foi assinado o acordo de final de guerra, a casa de McLean.

O sul mantém-se quente e húmido. A pronúncia das pessoas do Sul revela-se difícil de perceber, estamos sempre a pedir para repetirem.... a comida é mais intensa, e dizem que vai melhorando para Sul. Vimos aldeias que vivem de agricultura, mas também vimos muitos negócios fechados, um interior desertificado. Na minha análise, percebi porque é que o Trump ganhou. Eu, e reparem que falo apenas por mim, tinha uma visão dos Estados Unidos muito mais urbana, cosmopolita, desenvolvida. Mas nesta viagem passamos por quilómetros e quilómetros de estrada sem ninguém, campos, uma casa aqui, outra alí, aldeias com negócios fechados, cafés vazios, ninguém na rua. Onde estão estas pessoas que já deram vida a estes sítios?

Cantamos Sweet Virgínia, Mississippi girl, Sweet Home Alabama, e conhecemos a história da India Noccalula. Noccalula era filha do chefe de uma tribo Cherokee que com a entrada dos brancos se viu obrigada a fugir mais para Sul. No Alabama encontraram uma tribo Creek. Para mostrar que vinham em paz o seu pai prometeu-a a um sub-chefe da tribo Creek, mas Noccalula estava apaixonada por um guerreiro da sua própria tribo e suicidou-se no dia do seu casamento.

Foi ao Louisiana que nos rendemos. Conforme avançávamos junto à costa, fui pensando no maravilhoso que é ver tudo isto. Mas como é possível assimilar tudo? Tanta coisa nova, o que será que vai ficar de tudo isto que estamos a ver? Ainda bem que há fotografias para ajudarem a lembrar porque não vou querer esquecer este sítio. Apeteceu-me colar um post-it no cérebro, memória a reter. Água por todo o lado, de um lado mar, do outro pântanos. As casas construídas a partir do primeiro andar, para baixo apenas uma estrutura que as eleve para não serem fustigadas pela água. O Ivo viu um jacaré, eu estava com a Duna e perdi, na estrada uma cobra serpenteou por baixo do mamute. Tanta vida selvagem, um sítio tão diferente. As casas coloridas acompanham-nos até chegarmos a Nova Orleães.

 

todas as fotos Fujifilm xt2

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