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Nicarágua, a maior surpresa

Nicarágua, a maior surpresa
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O Ivo já tinha ouvido falar da Nicarágua pelo surf, um amigo disse-lhe que a Nicarágua era a Costa Rica há uns anos atrás. Mas como também não tínhamos ido à Costa Rica éramos duas tábuas-rasas.

Chegamos de noite a León e ficamos no primeiro sítio que nos apareceu. Ao não conhecer a cidade também não queríamos arriscar a dormir na rua. Acordamos de manhã e fomos passear por esta cidade, com mais de um milhão de habitantes e que é conhecida pela sua catedral. Estivemos na praça principal, rodeada de escolas, na hora de almoço, a apreciar a vida. Cruzamo-nos com um overlander do Paraguai que tinha a carrinha pintada com as mãos das netas. E seguimos viagem para Managua.

 

Fomos à televisão da Nicarágua, falar sobre o projecto. Não nos prolongamos já que não vimos nada de muito interessante para fazer e as praias de surf esperavam por nós. E fomos conduzindo para Sul.

Paramos em Granada, outro marco da Nicarágua. A cidade é mais pequena do que León, mas dada a sua localização central no país está cheia de turistas. Procuramos um sítio onde pudéssemos ficar no carro mas que tivesse internet para procurarmos um casamento. Acabamos por ir parar à Casa Barcelona que apesar de não ser central, foi um local onde nos sentimos muito em casa.  Como não tinham hóspedes, fizeram-nos um bom preço para ficar num dos quartos e aproveitamos. Sentimo-nos tão bem que ficamos praticamente uma semana. Descasamos, procuramos o casamento e estivemos alí a usufruir de casa e da companhia das senhoras que lá trabalham. Adoraram a Duna e não se importavam que ela ladrasse ou corresse. Em Granada visitamos as igrejas, vimos como era a vida na praça e deliciamo-nos com algumas iguarias locais como Gallo pinto - arroz misturado com feijões.


No dia antes de sairmos fomos ao vulcão Masaya. Desta vez não tivemos que caminhar durante horas. Um 4x4 levou-nos até ao topo, e podemos ver o que prometia a viagem: lava. É mesmo possível olhar para dentro da cratera do vulcão.

No dia seguinte, de manhã, saímos  em direção ás praias e se até agora os Nicas (abreviatura local com que os nicaraguanas se chamam) já estavam no nosso coração por toda a amabilidade e calor com que nos receberam, toda a Nicarágua passaria a fazer parte dos nossos países preferidos. Visitamos a nossa primeira praia, praticamente deserta, com um pequeno restaurante que servia uma deliciosa comida e com boas ondas para surfar. Dali passamos por Rivas, também esta vila mesmo ao lado do lago e podemos ver a ilha de Ometepe.

Mas seguimos para San Juan del Sur para uma ruenião onde nos conseguiriam um casamento. Em San Juan ficamos a dormir na carrinha mas a usufruir das instalaçoes do Hostal coconut. No primeiro dia comemos lá num churrasco que organizam: frango de churrasco, gallo pinto, platano frito e uma salada com repolho. Mas depois calcorreamos à vila de San Juan e descobrimos tantos sítios lindos e apetecíveis.

A vila tem uma vibração mesmo calma e feliz. Cheia de surfistas que ora vieram para cá morar ou estão a passar uma temporada. Não faltam lojas de surf, e cafés do mundo abertos por argentinos, italianos, canadianos, espanhóis.... Mesmo em cima da praia, à vida prolonga-se para o areal, mas aqui não há tantas ondas para surfar.  Contudo as melhores praias ficam nem a 5kms.

 

No sábado chegou um cruzeiro que embora enchendo está pequena vila com viajantes com outro perfil nunca lhe tirou o encanto. Partimos no mamute para ver as praias: Hermosa era linda, com um areal extenso e por momentos sentimo-nos em Ibiza com toda a movida que a praia tinha; El coco foi perfeita, sem ninguém e um por do sol para lá de mágico; e El remanso a que estava mais perto de nós foi a junção de tudo o que procurávamos: um local calmo, com um café com internet, a 5km de distancia e com boas ondas. Fomos lá 3 dias para surfar. E até eu podia ter experimentado ter lá umas aulas de surf, já que apesar das ondas, a realidade é que era tão baixinho que teria pé. As estradas para chegar às praias não são as mais acessíveis, é mesmo preciso passar por cima de rios. Mas como não era época de chuva o caminho, embora lento, fazia-se bem.

No meio de tudo isto foi noite de lua cheia e com ela vieram centenas de tartarugas para a praia Flores, estes momentos são chamados de "arrivada". Flores é umas das 7 praias da América central onde as tartarugas vem deixar os seus ovos. Aproveitamos para lá ir no domingo e foi outro daqueles momentos em que nos sentimos incrivelmente afortunados. As tartarugas chegam durante a noite, depois das 20h00. A maioria tem mais de 50 anos. A praia está deserta, apesar de ter alguns militares encarregues de as proteger . Com um areal extenso, é fácil andar de um lado para o outro e ver o rasto das tartarugas na areia para as encontrar. Só podemos ir com lanternas ou luzes do telemovel vermelhas, eles mesmos colocam um filtro na luz. Assim não incomodamos as tartarugas. Elas veem e com a cauda escavam um buraco com 50cms de profundidade onde depositam os ovos. Dali a 50 dias todas as tartarugas bebes saem juntas em direção ao mar para aumentar as suas chances de sobrevivência.

 

Saímos da Nicarágua só porque já tínhamos um casamento marcado na Costa Rica e não queríamos falhar.

 

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