A Antigua de Kimberly e Jimmy

O nosso casamento na Guatemala já estava marcado há mais de um mês. Em Saltillo, logo depois de termos passado a fronteira, conhecemos uma família que tinha um casamento em Antigua, dia 14 de Outubro. Perfeito! Tivemos que voar do México para a Guatemala. Paramos no Belize, em Tikal e seguimos.

Chegamos a Antigua na véspera, estivemos com os familiares da noiva e ao final da noite podemos conhecê-los. Um amigo do noivo ia fotografar a cerimónia mas também podíamos lá estar e como ele não ia aos preparativos da noiva, fomos nós.  Logo pela manhã estávamos lá: maquilhagem, penteado, vestido, sapatos,… nada deixado ao acaso. Nos convites a cerimónia estava para as 15.30 mas na realidade seria só às 16.00. Não foi. Eram 17.00 quando estávamos a sair da casa onde a noiva se arranjava. Deu para umas duas fotos de fugida porque o tempo era escasso mas não queríamos deixar de aproveitar toda a envolvencia do sítio.

Os noivos não são de Antigua, são de Zacapa. Um cidade na Guatemala que vive de agricultura. Os convidados veem de lá, dos Estados Unidos onde muitos familiares estão emigrados e do México. A cerimónia é primeiro pelo civil e depois uma celebração religiosa. Tudo no mesmo espaço da quinta.

 

 

À semelhança do México aqui também fazem a cerimónia das cordas que ligam os dois. Depois algo diferente, cada noivo tem uma vela que o outro apaga porque agora já não são duas pessoas mas uma só e acendem uma nova vela em conjunto. Todos estes simbolismo servem para relembrar o poder da união. A cerimónia é emotiva, com a mãe do noivo a dar umas palavras no final. Devem estar perto de 100 pessoas.

 

Passamos para a zona onde vai ser o banquete. Os noivos dança sua primeira dança juntos, fazem o corte simbólico do bolo e brindam mesa-a-mesa com champagne. As pessoas levantam-se para ir buscar a sua comida, os noivos ficam para o fim. Sentam-se na mesa que ficou vazia e convidam-nos a juntarmo-nos a eles. Que honra.

Ficamos a saber mais da Guatemala e dos noivos! A Kimberley chegou a trabalhar nos Estados Unidos mas voltou a Guatemala onde trabalhou numa agência de viagens. Adora conhecer sítios novos. O noivo tem uma empresa de logística, e colabora com empresas como a das bananas Chiquita. Conheceram-se através de amigos em comum, e pelo que percebemos foram preservados todos os passos de uma relação tradicional: ele pediu-a em namoro e depois em casamento em Agosto deste ano.

Depois da comida servem o delicioso bolo de noiva e um café guatemalteco. Adoramos o café aqui. As pessoas começam a ir embora lentamente. Ainda é cedo, e aproveitamos para ir com os noivos tirar mais umas fotos.

Adoramos este casal e não conseguimos escolher as melhores fotos, quem nos dá uma ajuda?

 

 

Preparativos de um casamento

Quem já organizou um casamento sabe que muito mais do que o dia, o processo de planear tudo é uma aventura em si. É nessa altura que pensamos em todos os que mais gostamos e em como lhes proporcionar um dia único. Para muitos noivos é nas provas que realmente comem. Já que no dia estão super nervosos. Em Cancun fomos convidados pela Utopik a assistir a todos os preparativos da Mirelle e do Greg.

São o casal americano mais querido que conhecemos. Moram em Nova Iorque, juntos já há algum tempo. E decidiram casar no México pois sempre tiveram uma forte ligação com o país. O irmão do Greg mora na Cidade do México e casou em Acapulco.  Queriam uma festa na praia, e conseguiram algo na praia mesmo. Ficamos encantados com o sítio que só a Utopik vos pode revelar onde é, e rimos ao lembrar  como seria quase impossível fazer algo assim no norte e Portugal com toda a Nortada.

No primeiro dia com eles começamos pela escolha dos pratos. Fomos ao atelier do chef Federico Lopez com quem podemos conversar sobre as escolhas normais e de como tudo se processa. A Utopik só trabalha com os melhores profissionais e foi ótimo ver a experiência deste chef. Depois juntamo-nos à mesa para provar as iguarias que tinham sido preparadas. Os noivos optaram por umas entradas com sabor a México e depois por uns pratos principais mais abrangentes aos gostos de todos.

 

À mesa fomos conhecendo um bocadinho mais de cada um. O Greg já passou férias em Portugal. A família tinha uma casa no Algarve mas não se lembra, era muito pequeno. Ele e a Mirelle frequentavam a mesma escola e durante algum tempo apenas se conheciam de vista. Entre risos a Mirelle conta que achava que ele era o que chamaríamos em Portugal de “um tótó”. Através de amigos em comum transformaram-se em bons amigos. O Greg tinha um amigo que gostava da Mirelle. Mas não avançava. Então um dia  o Greg decidiu beija-la e desde aí são um feliz casal. O amigo demorou algum tempo a esquecer a Mirelle mas já está tudo bem e vai ao casamento.

Voamos dali para ver a decoração do espaço, decidir as flores, toalhas, cadeiras,… nada fica ao acaso. E já se tinha passado o dia.

No dia seguinte poderíamos estar a sós com a noiva já que ia fazer a prova do cabelo e da maquilhagem logo pela manhã. Incrível organizar tudo em dois dias. Eu acho que só é mesm possível com uma empresa a ajudar nos preparativos como a Utopik.

Mais tarde, junta-se o noivo e o fotógrafo para ver como pretendem organizar o dia para as fotos. Entretanto ligam-se pelo Skipe ao DJ. Os noivos tem algumas exigências, são judeus e há algumas tradições que querem manter.

Quebra de copo
Talvez a mais famosa! No fim da cerimônia, silêncio total. O noivo quebra com o pé direito um copo para lembrar a destruição do Templo em Jerusalém. O vidro representa a reconstrução e o ritual simboliza que o homem é mortal.

The Hora
Certamente já viram aquela dança onde colocam o noivo numa cadeira, a noiva noutra e levantam as cadeiras no ar enquanto eles seguram na ponta de um guardanapo branco que fazem girar. Esta dança é muitas vezes feita ao som da música Hava Nagila. É uma forma de honrar os noivos.

Mizinke
Uma dança em que os pais da noiva ou noivo dançam quando se casa o último filho.

Mazel tov
É hora de gritar, e desejar boa sorte aos noivos.

O casamento é só em Novembro mas gostamos tanto desta equipa toda que ficamos com vontade de ficar e partilhar este dia tão especial. Para o Greg y Mirelle o amor é encontrares o teu melhor amigo/a e passar a vida ao lado dele.

Entretanto estamos a preparar um vídeo com todos os detalhes dos preparativos de um casamento, fiquem atentos para conhecer melhor este casal apaixonante.

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O recalentado

Dia 2 do casamento do Paulino e da Gabi, ou como os mexicanos chamam: o dia do recalentado.

Vamos cedo para o local, a festa começa às duas mas queremos ver mais dos preparativos. Mais simples, também conhecido como o dia do recalentado serve para partilhar o que se viveu no dia anterior, explicam-nos. As pessoas vão chegando, nem todos vem vestidos com a forma tradicional de Oaxaca mas o espírito está lá. Há uma cesta com flores de papel para as senhoras colocarem no cabelo.

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As pessoas vão-se sentando e nós uma vez mais escapamos para a cozinha. Há familiares a cozinhar. Vão ser servidos alguns aperitivos: chouriço, favas, grilos, e carne seca. Depois tacos bem mexicanos. Os noivos ainda não chegaram. Prepara-se ainda uma bebida con Mezcal – xingorolo. Mezcal é uma bebida parecida com a tequila feita de cacto mas é feita de agave azul. O xingorolo é a mistura do Mezcal com cerveja, sumo de toranja e gelo. O copo de barro é adornado com sal de minhoca.

Rapidamente começa a música, as pessoas dançam o folclore Oaxaquenho. Os noivos vão para a pista, sentam-se numa cadeira e agarram um jarro de barro.

A música começa e as pessoas pegam em jarros que vão partindo aos pés dos noivos enquanto lhes desejam boa sorte. Entretanto vão dando dinheiro aos noivos para a lua de mel, e no fim conta-se quem conseguiu angariar mais: se a noiva ou o noivo.

 

Está tradição é mais da região de sul de Oaxaca – Istemeña. A festa continua com as pessoas a dançar uma vez mais. Não sei como conseguem ter tanta energia.

Nós aproveitamos para falar com os noivos e conhecer um bocado mais da sua história. Juntos há vários anos, vivem em Playa del Carmen. Foram saindo com amigos em comum para o famoso “Coco Bongo” e apaixonaram-se.

Como tem família de muitos lugares, Bacalar foi um sítio onde era fácil chegar para todos.  Vieram pessoas de Villahermosa, Cidade do México e Oaxaca. Estas últimas foram muito fustigadas com os terramotos que se fizeram sentir e talvez por isso a vontade de festejar a vida era muita.

Entretanto ainda é altura de provar mais uns licores feitos com Mezcal. Provamos o de Guanabara e ficamos fãs. Uma vez mais saímos ainda a festa não havia terminado.
Fiquem atentos porque estamos a preparar um vídeo com este casamento tão divertido.

Gabi e Paulino, o casamento mais divertido

Quando escrevi este post inicialmente ainda não tínhamos casamento. Andávamos à procura mas chegávamos sempre tarde. Em Bacalar, fomos à igreja perguntar se havia algum casamento e dizem-nos que sim mas que não tem contactos nenhuns. Começamos a perguntar a toda a gente onde é que seria e encaminham-nos para Paraíso Bacalar. Falamos com o Pepe, que foi extremamente simpático e nos disse que ia falar com os noivos, Gabi e Paulino. Mas os noivos só chegavam na sexta-feira.  Oferecemo-nos para estar com ele e explicar tudo, não fez falta. Ele adorou o projeto, falou com os noivos e pronto. Temos casamento.

O nosso seguro acabava no Domingo e o casamento era no sábado. Íamos ter que sair logo pela manhã para o Belize. Mas não foi nada disso. Chegamos ao casamento falamos com o noivo que nos disse que ia ser uma festa de dois dias e que o segundo ia honrar as tradições da sua família de Oaxaca. Pronto, decidimos ficar. Quem é que consegue dizer que não a dois dias de festa?

Dia 1

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Começa na igreja local, um lugar simples mas com um ar colonial e que retrata bem as igrejas do México. O noivo chega antes, e alinha-se com as damas de honor e os padrinhos. Todo um cortejo. O cor-de-rosa dá o mote aos vestidos e camisas. Entram os meninos das alianças, e a filha do casal ao colo. Logo seguida da noiva. Os noivos, Gabi e Paulino já estão no altar.

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A cerimónia desenvolve-se como uma cerimónia cristã, com alguns detalhes mexicanos como falamos aqui. À saída da igreja, os habituais parabéns e os noivos fogem rapidamente. Vão chegar de forma surpresa ao local da festa. No paraíso Bacalar, mesmo de frente para a Lagoa das Sete Cores, é possível chegar de lancha. O lugar é mágico.
À chegada realiza-se a cerimónia civil, entretanto já foram distribuídas cervejas, e águas com sabores. Não, não são as nossas águas de sabores, muito mais natural: orchata, água de coco, água de Jamaica….

os convidados aproveitam para tirar algumas fotografias

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Alguns canapés circulam pelas pessoas. Altura para ir até à cozinha ver quais serão as iguarias.
Serão servidas umas entradas na mesa: guacamole e outros pâtés para as pessoas partilharem. Depois um ceviche, como o da foto. E o prato quente é carne assada com camarões, purê de batata, e um preparado com molho. Eu fico pela cozinha e ainda dou uma ajuda. Adoro.

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De seguida corta-se o bolo e os noivos fazem a primeira dança. Vão sendo chamadas as pessoas mais importantes na vida deste casal para ir partilhando a pista com eles. Lentamente o espaço começa a encher. As mulheres descalçam os saltos altos.

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Estão todos animados, um empregado circula pela pista a distribuir cerveja. Não há hora para acabar esta festa tão boa. O Dj vai distribuindo chapéus de acordo com cada canção: “the roof is on fire” e vemos chapéus de bombeiro na pista, “mariachi” e distribuem-se chapéus tipicamente mexicanos,….

Nós acabamos por ir embora ainda a festa vai a meio, mas o segundo dia promete.

Obrigado Gabi e Paulino por nos deliciarem estar neste dia tão especial.

 

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Tradições Casamento Mexicanas

Somos apaixonados por casamentos.  No México fomos passando de aldeia em aldeia, perguntando por casamentos falhávamos sempre por pouco. Sentimo-nos um bocadinho frustados.
Depois tivemos um dia maravilhoso com o Greg e a Mirelle, quando eles foram decidir tudo para o grande dia que será só em Novembro. Ainda vos falaremos mais sobre esta experiência aqui.

Ao longo do caminho fomos ouvindo pelas pessoas como são os casamentos aqui no México e quisemos partilhar com vocês. Muitas das tradições são mais antigas do que o tempo em que os espanhóis chegaram ao México.:

1 – Caminhar com ambos os pais até ao altar, é uma forma de reconhecer a ambos neste dia tão especial. E que ambos dêem as boas-vindas à nova família que se inicia.

2 – A tradição dos laços, usa-se há muitos anos. É uma tradicção noutros países mas nós não conheciamos. Os laços são colares que estão unidos um ao outro. Um colar para a noiva e um para o noivo para mostrar a toda à aldeia que são um casal. Antigamente eram feitos com tecido ou flores, mas hoje em dia já são feitos com outros materiais.

 

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3 – Moedas, são 13 moedas que os padrinhos oferecem aos noivos. Podem ser de ouro, prata, ou qualquer outro material. É um momento em que ao segurar nelas os noivos agradecem por tudo o que tem e o que terão no futuro. É um momento especial de prosperidade.

4 – Depois algo também muito Português. Levar algo azul, algo velho, algo novo e algo emprestado.

5 – Muitos casamentos são celebrados ao Domingo por se acreditar que é o dia do Sol e que atrai felicidade ao casal.

6 – Os padrinhos são muito importantes no México. Eles são responsáveis por ajudar em todos os detalhes da cerimónia. Há o padrinho das mesas, o padrinho do bolo, e devem ajudar em tudo o que faça falta.

7 – Contaram-nos que em alguns sítios ainda se uso o baile das notas. Depois da primeira dança como casal os noivos continuam a dançar e as pessoas vão prendendo notas no vestido da noiva, ajudando assim na lua de mel.

8 – No sul do país, para o lado oeste é comum os Mariachis. Eles aparecem no fim do casamento para dizer que o mesmo já terminou.

9 – A comida que se oferece é variada, não há um prato preferido como seria o nosso bacalhau. É comum no dia seguinte a festa continuar para o “recalentado” mas na verdade é comida feita de novo.

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10 – A dança do Morto. Começa a tocar a marcha fúnebre, e todos os homens vão para a pista, seguram o noivo no ar e começam a tirar-lhe toda a roupa possível, depois lançam-no ao ar várias vezes. Há quem considere uma tradição de mau gosto. Nós achamos muito divertido.

Lipaz e Reem

Chegou o dia do nosso primeiro casamento. Estávamos ansiosos. No Canadá desde o início que sabíamos que seria difícil conseguir um porque com a carrinha e os seus problemas tínhamos receio de nos atrasarmos.

A Lipaz e o Reem vivem em Tel-Aviv, e iam casar a Nova Iorque, os dois sozinhos. Andavam à procura de fotógrafo e chegamos até eles. Além de sermos os fotógrafos íamos também ser as testemunhas. Combinamos tudo para o grande dia, tiramos umas fotos antes do casamento e fomos conhecendo este casal maravilhoso.

A Lipaz e o Reem já vivem juntos há mais de 4 anos, tem dois cães e muito amor. Conheceram-se em trabalho. Na altura Lipaz trabalhava para um banco que apoia start-ups e foi conhecer uma das start-ups onde o Reem estava. Agora é diretora de marketing num centro artístico e ele continua ligado às novas tecnologias, além de ter um podcast sobre futebol em Israel. Já estão a ver não faltou assunto de conversa.

Caminhamos para o Central Park, é enorme, perdemo-nos num dia em que faziam 27 graus com 100%de humidade.
Perguntamos como eram os casamentos em Israel. Para um casamento ser dado como válido em Israel tem que ser religioso, e a religião e as tradições que ela implica não promovem a igualdade entre géneros. Um pequeno exemplo sem importância é a tradição de partir um copo no final da cerimónia religiosa: só o homem parte o copo, mas hoje em dia, contou-nos o Reem há casamentos onde a mulher também o faz. Mas isso não é nada bem visto.
Um casamento pequeno tem perto de 250 pessoas. E há casamentos com 1500 pessoas. A Lipaz e o Reem queriam algo deles, não queriam que o casamento estivesse ligado à religião e então pensaram em casar fora do país.

Os dois lugares em vista eram Nova Iorque: porque o Reem nunca tinha lá estado e a Lipaz adorava e, imaginem só: Portugal. Todos os amigos que já visitaram Portugal falavam maravilhas e foi um destino que pensaram. Ganhou Nova Iorque.

A Lipaz encomendou o vestido pela internet para ser entregue no hotel, compraram o fato do Reem no dia anterior já em Nova Iorque. Maquilhou-se a ela própria e optou apenas por ir ao cabeleireiro. O processo burocrático para casar em Nova Iorque é bastante simples. É necessário ir ao city hall pedir as licenças e no dia seguinte aparecer lá, as pessoas são atendidas por ordem de chegada.


Chegamos por volta das 13h00, éramos o número 44. Estavam lá vários noivos. Uns como a Lipaz e o Reem: sozinhos com os fotógrafos e outros com família e amigos. Ao nosso lado outro casal de Israel com a família. O processo foi bastante simples. Preenchem-se uns papéis e depois vão chamando pelos números os casais para uma sala, cada um na sua vez e com toda a privacidade, criando momentos especiais. Ainda sentados à espera uma noiva, com uns jeans pretos e uma t-shirt branca veio ter com a Lipaz e ofereceu-lhe o seu ramo de flores, já não precisava mais dele.

Chamaram o número 44. Quando trocavam as alianças, os sorrisos apareceram nas caras, sinceros e emocionados. Ficamos muito orgulhosos de testemunhar este amor, que não precisa de tradições, religiões, nem de mais ninguém para ser válido, verdadeiro e único.

Ainda fazia falta preencher alguns papéis por causa da licença internacional. Então fomos almoçar a Chinatown, comer dumplings. E como em todos os casamentos houve imensa comida!

O amor está em todo o mundo, e basta duas pessoas para o provarem, de forma simples, despretensiosa e com um sorriso no rosto.

Todas as fotos com Fujifilm Xt2

A Amanda!

O destino parece fazer das suas. Não queríamos levar a Duna a Nova Iorque para não a expor ao stress de uma grande cidade. Reservamos um hotel para ela em New Jersey, mas o local exato era longe de Nova Iorque e pensamos que ia ser um transtorno andar de lá para a cidade. Então arriscamos para uma zona mais perto.
Fomos a uma loja de animais, que também tinha hotel, e disseram-nos que estava esgotado. Sugeriram-nos outro local e lá fomos. Chegamos e estava fechado, alguém tinha reservado o espaço para a festa de 10 anos do cão. Disseram-nos que poderiam ficar com a Duna se fossemos lá às 13h00. Não queríamos esperar. Fomos a outra loja de animais. A Sue foi espetacular e ligou para dois sítios. Ninguém podia. Lembrou-se da Amanda, que disse logo que sim e em 15 minutos chegou. Combinamos tudo para os 3 dias seguintes, porque no dia do casamento iamos estar muito tempo fora. Ficou de ir aquele sítio buscar e levar a Duna todos os dias.

O nosso ponto de encontro com a Amanda acabou por se converter na nossa casa, com uma vista incrível sobre o upper east side, estacionamento livre, café com Wi-Fi,e autocarro para Nova Iorque, não podíamos querer melhor.

E assim fomos conhecendo a Amanda, no primeiro dia mandou-nos logo um monte de fotos da Duna, e como ela estava feliz. Fomos buscá-la e conhecemos o Danieli, o seu marido. Contou-nos que trabalhava a partir de casa, que fazia voluntariado, ao terceiro dia já estávamos rendidos ao seu doce sorriso e a forma como ela ia sempre buscar a Duna. Quisemos que vocês a conhecessem melhor, não podíamos guardar este amor só para nós. E por isso ficamos mais uma manhã em Nova Iorque para fazer um pequeno vídeo com ela.

Já sabem, se vierem cá com o vosso amigo peludo, falem com a Amanda, e confiem na Furry Tales New Jersey.

 

À conversa com #1

Estivemos à conversa com o casal de viajantes Rachel e Leo do Blog Viajo Logo Existo. Eles foram uma inspiração para nós e nos meses de planeamento foram a nossa principal biblioteca. Quando vimos que também estavam no Canadá perguntamos se nos podíamos conhecer e eles “toparam na boa”. Encontramo-nos em Montreal e

aqui  está o registo:

Trevor, amante do seu jardim

No primeiro dia em que saímos no jornal, apareceu o Trevor à nossa procura. É apaixonado pelo seu jardim e queria mostrar-nos o seu trabalho.

Trevor in the backyard
Trevor sitting in front of the house

Disse que há anos que se dedica a ele e que está quase finalizado. Fomos a pé até à sua casa. Ouvi-mo-lo falar sobre os seus pais, sobre a sua vida, o trabalho, e o seu amor pelo jardim. Quer que partilhemos aqui para mostrar aos seus familiares que estão em Inglaterra e que não podem ver. Ele não tem internet.

Os seus pais eram ingleses, vieram morar para Aurora em 1930. O seu pai, tocador de órgão numa igreja, já era um apaixonado por jardins e passou esta paixão a Trevor. A sua mãe era educadora de infância. Trevor, nasceu em 1940 e viveu sempre em Aurora. Excepto em 1960 quando foi dois anos para Inglaterra. Trabalhou toda a vida num supermercado, agora reformou-se mas continua a trabalhar em part-time. Dedica-se a colecionar antiguidades e claro ao seu jardim. Tem um irmão, que vive em Toronto. O seu irmão casou-se e tem dois filhos. Uma vida diferente da de Trevor. Menos solitária, imaginamos nós.

É engraçado ver as casas no Canadá, diferentes das de Portugal, na medida em que praticamente não há muros. As frentes são todas juntas, co, jardins que delimitam umas casas das outras. Atrás sim, cada casa tem o seu pequeno jardim com uma fence em madeira, nada de muros altos que limitam a conversa ou até um pedido de ajuda.

Trevor car and house

Mas a casa de Trevor distingue-se das outras, o seu jardim é feito não com relva mas com pedras. Nós viemos de Sudbury, sabemos bem o quanto as pedras estão presentes no dia-a-dia dos canadianos. Trevor foi buscar as pedras para construir o seu jardim a Parry Sound. Escolheu-as de várias cores, feitios e foi-as organizando para criar algo visivelmente diferente. A cada fim-de-semana que lá ia trazia umas cinco.

Trevor front garden
Trevor front garden

Ao entrar no jardim das traseiras, mais alguns recantos trabalhados com pedras. Para Trevor, o jardim é um processo criativo, e como tal nunca está terminado. Passa aqui 5 horas por semana, a delinear todos os pormenores, a re-ajustar cada pedra. Com a neve, cada ano, há plantas que morrem e é preciso voltar a plantar a cada Primavera.

Trevor house
Trevor house

Perguntamos a Trevor, o que é o amor para ele: muitas coisas, acordar de manhã e perceber onde te encaixas no mundo, deixando a negatividade para trás. Estar confiante e aproveitares aquilo que a vida te dá. Para ele a arte é uma forma de amor: música, pintura, o seu jardim é um ato de amor. “A vida é aquilo que fazes dela” disse-nos o Trevor.

 

Projetos de amor

 

Já conhecem o magdas hotel?

Ao longo da nossa viagem vamos fotografar casamentos à volta do mundo, mas também documentar atos de amor: pessoas, empresas, gestos que nos fazem acreditar que o amor está em todo o lado. Já vos tínhamos falado da nossa viagem a Vienna aqui.