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Piratas, Cabaret, Jazz

Uma cidade diferente de tudo. Somos uns fáceis: achamos Toronto multicultural, apeteceu-nos ficar em Montréal, vivíamos em Nova Iorque, de Washigton achamos que era imperial. E chegamos a Nova Orleães.

Não sei se alguém vem preparado para Nova Orleães, nós não vínhamos. Colonizada por franceses e espanhóis e povoada por descendentes de escravos africanos, além de imigrantes alemães, italianos e irlandeses, a cidade é uma junção multicultural e racial.

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New Orleans music

Chegamos com ameaças da tempestade Harvey que assolou o Texas. Por aqui a não ser vento no primeiro dia não se fez sentir. Ficamos 4 dias, viciados no French Quartier,
Ao chegar fomos almoçar a um PoBo mais afastado do centro e recomendado pelo Anthony Bourdain. Reconhecimento do local onde íamos dormir e arriscamos com o mamute até bem perto do French Quartier.


Sabíamos que Nova Orleães era o berço da música. Caminhamos 100 metros e não conseguimos parar. Começamos a ouvir uma gaita de foles ao pôr-do-sol, o som misturava-se com a batida de um jambé, uma voz de mulher acompanhava.

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New Orleans at sunset

Gargalhadas, conversas, e o som de um cruzeiro a chegar. Nova Orleães está rodeada de água.
Mais uns passos e alguém vende arte, outros leem as cartas, a sina, as lojas de lembranças confundem-nos com lojas de bruxaria e voodoo. É quarta-feira, o ambiente está calmo. Passamos por bares quase vazios, noutros mais movimento, uma rapariga do primeiro andar atira colares para uma árvore.

Os colares chamam-se “beads”, são uma espécie de colar de contas. Muito popular nas festas de Mardi Gras, o nosso carnaval. A tradição remonta a 1872, quando um grupo de empresários inventou um rei chamado Rex que atirava colares de amêndoa para a multidão. A partir de 1900, surgiram uns colares de vidro que eram atirados e que foram um enorme sucesso entre todos, e começaram a ser colecionados. A cidade está cheia de colares, nas árvores, no chão. Mas dizem, nós não vimos, que há mulheres mostram os seios em troco dos colares, dando lugar à expressão “bread for tits”. Para a Duna que anda sempre com as maminhas amostra foi fácil mostrar e recebeu um colar em troca.

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Num bar um duelo de pianistas, noutro uma banda toca um jazz mais moderno, numa esquina um saxofonista ganha a vida, um restaurant com música ao vivo surpreende-nos com uma banda mais tradicional. Som, som, som, melodia, melodia, música. Dançamos na rua, somos contagiados.


Fica prometida uma visita de dia, fica prometida uma visita no fim-de-semana quando a cidade estiver ao rubro.
As ruas são escuras e fazem lembrar uma cidade do tempo dos piratas, com casas iluminadas por candeeiros com velas. Nas lojas vendem-se máscaras, tiras de plumas, saias aos folhos, para convidar a uma qualquer performance no Moulin Rouge.

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Night club

O Ivo não consegue parar de disparar fotos.
Passamos a quinta-feira num café a tratar fotos. Só acabamos à hora de jantar. Os restaurantes cheios de locais transmitem um jogo de futebol americano. Jantamos perto da meia-noite numa pizzaria. O calor incumoda, a humidade não dá tréguas.

Avançamos no dia seguinte para o French Quartier, é hora de almoço. Fazemos uma incursão ao café del monde para provar a iguaria local, uma espécie de Donut quente. Os sons não param de chegar, as melodias seguem-nos pela cidade. Pensávamos que encontrariamos uma zona sem vida de dia. A cidade não para. Artistas dançam sapateado. Chegamos ao mercado, somos contagiados com novos sons: um artesão trabalha, um homem abre ostras, outro faz bijuteria através de talheres, alguém serve um café. Conversamos demoradamente com o Bad-Ass Uncle Sam. Podem ver mais sobre ele aqui – www.badassunclesam.com

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Uncle Sam

Saímos para regressar mais tarde, este fim-de-semana é prolongado nos Estados Unidos. O Labor Day é na segunda-feira. Ouvimos na radio que a cidade espera 300.000 pessoas. Ficamos a saber que é a festa do Decadent South, investigamos e vemos que é uma festa LGBS. É sexta-feira, as ruas encheu-se de polícia, despedidas de solteiro, cor, bandas a tocar na rua, tours a caminhar, pessoas a ler as cartas, a sina, uma rapariga toca violino, um homem prega no meio da rua.

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Sinners will sin

O Sul

“Nem sempre viajei para sul, mas nada vi de tão extraordinário como o sul. O Sul é uma porta de avião que se abre e um cheiro inebriante a verde que nos suga, o calor, a humidade colada à pele, os risos das pessoas, o ruído, a confusão de um terminal de bagagens, um excesso de tudo que nos engole e arrasta como uma vaga gigantesca. Apetece fechar os olhos, quebrar os gestos e deixar-se ir.” Miguel Sousa Tavares

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Virgínia Appomattox

Os estados que se seguem depois de washigton, fazem segundo o mapa dos Estados Unidos parte do Sul do país. Percorremos Virgínia, Carolina do Norte, Alabama, Mississipi mas são mais os estados que fazem parte do “deep-south” dos Estados Unidos. Estes estados são conhecidos por serem uma região muito ligada à agricultura e consequentemente com um regime de escravatura até à guerra civil americana.

Fujifilm, Worldyouneedislove. Civil war
Recreation of the civil war

Foi quando Lincoln ganhou as eleições que os estados se uniram e fundaram A Confederação. Os que os governavam eram essencialmente contra o fim da escravatura. Durante os 4 anos de existência os estados confederados quiseram mostrar a sua independência, mas o governo central dos Estados Unidos afirmava que eram apenas estados de rebeldia. A guerra civil rebentou em 1861 e foi liderada por Robert Lee, acabando por se renderem mais tarde. Tivemos oportunidade de visitar o local onde foi assinado o acordo de final de guerra, a casa de McLean.

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McLean house

O sul mantém-se quente e húmido. A pronúncia das pessoas do Sul revela-se difícil de perceber, estamos sempre a pedir para repetirem…. a comida é mais intensa, e dizem que vai melhorando para Sul. Vimos aldeias que vivem de agricultura, mas também vimos muitos negócios fechados, um interior desertificado. Na minha análise, percebi porque é que o Trump ganhou. Eu, e reparem que falo apenas por mim, tinha uma visão dos Estados Unidos muito mais urbana, cosmopolita, desenvolvida. Mas nesta viagem passamos por quilómetros e quilómetros de estrada sem ninguém, campos, uma casa aqui, outra alí, aldeias com negócios fechados, cafés vazios, ninguém na rua. Onde estão estas pessoas que já deram vida a estes sítios?

Cantamos Sweet Virgínia, Mississippi girl, Sweet Home Alabama, e conhecemos a história da India Noccalula. Noccalula era filha do chefe de uma tribo Cherokee que com a entrada dos brancos se viu obrigada a fugir mais para Sul. No Alabama encontraram uma tribo Creek. Para mostrar que vinham em paz o seu pai prometeu-a a um sub-chefe da tribo Creek, mas Noccalula estava apaixonada por um guerreiro da sua própria tribo e suicidou-se no dia do seu casamento.

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Foi ao Louisiana que nos rendemos. Conforme avançávamos junto à costa, fui pensando no maravilhoso que é ver tudo isto. Mas como é possível assimilar tudo? Tanta coisa nova, o que será que vai ficar de tudo isto que estamos a ver? Ainda bem que há fotografias para ajudarem a lembrar porque não vou querer esquecer este sítio. Apeteceu-me colar um post-it no cérebro, memória a reter. Água por todo o lado, de um lado mar, do outro pântanos. As casas construídas a partir do primeiro andar, para baixo apenas uma estrutura que as eleve para não serem fustigadas pela água. O Ivo viu um jacaré, eu estava com a Duna e perdi, na estrada uma cobra serpenteou por baixo do mamute. Tanta vida selvagem, um sítio tão diferente. As casas coloridas acompanham-nos até chegarmos a Nova Orleães.

 

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Washington imperial

Aproximavamo-nos de Washington, pelo caminho ficavam as terras com as sedes da NASA, NSA, exército, museu de guerra,… saímos da auto-estrada para entrar na cidade por estradas nacionais.

Perdemo-nos e acabamos por ter que dar a volta no meio e uma aldeia. Ao fazê-lo para um carro, e pergunta-nos se conhecemos a pessoa que mora naquela casa. Negamos. Pergunta-nos então o que estávamos ali a fazer, dizemos que estamos perdidos e estamos só a dar a volta. Fica a olhar para nós desconfiada e vai ter a outra casa, onde chama os vizinhos para irem ver quem nos éramos. Entretanto arrancamos e reparamos que toda a aldeia tem um programa em que todas as pessoas são vigilantes. Pela primeira vez não nos sentimos muito bem-vindos.

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Capitólio com os sapatos Namorarte 

Chegamos à cidade 3 horas depois do que inicialmente previsto pelo GPS: trânsito, trânsito e trânsito, desde Baltimore.
Por aqui queríamos ver apenas a casa branca, o capitólio e o museu smithsonian. Fora do centro da cidade vemos uma mistura de culturas. Recentemente nomeada a segunda cidade mais cool dos USA para viver, pela Forbes, foi ao chegar ao centro que nos sentimos  na capital do império. Um pouco como em Roma, aqui tudo é enorme, limpo e majestoso.

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Obelisco

Os monumentos são fáceis de reconhecer e visitar a cidade torna-se em algo muito agradável. O The mall, é um amplo parque nacional que alberga as voarias áreas, tem 3 kms por 2,  e os edifícios do governo e de homenagem estão todos à volta dele. Começamos pelo capitólio, e do outro lado o obelisco. Pelo meio fontes, jardim e estátuas. Seguimos para a casa branca tencionávamos dizer ao Trump “it might be America First, but please Portugal 2nd”, não o vimos. Fomos para o Lincoln memorial e passamos no monumento de homenagem aos veteranos da guerra do Vietname.

Seguiu-se a visita ao museu Smithsoniac e ficamos boquiabertos. O museu é mesmo incrível, merece a visita. Conta a história da aviação desde que começou até às viagens no espaço. Fomos separados, por causa da Duna não ficar no carro e não nos prolongamos muito, mas cada um de nós demorou mais de uma hora.

Nesta zona central de Washington sentimo-nos tranquilos, vimos polícia por todo o lado mas bastava andar um pouco  para ter contacto com outra realidade. Muitos sem abrigo. Pelo caminho víamos carros da polícia em zonas estratégicas.  Paramos para dormir num parque de campismo e no dia seguinte rumamos a Asheville na Carolina do Norte para uma conversa muito especial.

 

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A cidade

Aviso: este post é sobre mim e sobre a minha relação com a cidade, não pretende ser um post turístico, e o olhar do Ivo pela cidade está nas fotografias maravilhosas tiradas por ele.

I’am an Englishman in New York, ou para mim i’m a vianense in New York, I’am an alien. Nova Iorque, caramba, faz parte do imaginário de quase todos nós. Quantos filmes, quantas séries vimos filmadas aqui? Quantas músicas sobre a cidade que nunca dorme? Para muitos uma cidade de clichês. Mas eu não ia na expectativa de ver nada, não tinha nenhuma obrigação no meu roteiro.

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New York skyline

Voltemos ao tema da Vianense, sou de Viana do Castelo. Quem é de lá sabe bem o que isso significa, uma chieira enorme. É uma cidade pequena então quando conhecemos alguém que conhece alguém que é de Viana perguntamos logo: “quem?”, como se nos conhecêssemos todos. Pensamos um bocado e depois perguntamos: sabes se andou no Liceu ou em Monserrate? Isso define logo muita coisa.

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Brooklyn bridge

Ao chegar a Nova Iorque senti um individualismo enorme, as pessoas estão preocupadas com as suas vidas e os seus ritmos. Ninguém sabe quem nós somos, se estamos em passeio, a viver aqui, quanto mais tentar descobrir alguém que mora nesta cidade pela escola onde andou. Senti-me pequenina, senti que a minha importância neste mundo e no universo é mesmo do tamanho de uma partícula. Os nova iorquinos estão no seu mundo, mas, por outro lado, assim que os interpelamos eles vão parar, ouvir e ajudar, aí podiam ser de Viana. Nós paramos um fotógrafo do Daily News que seguia a um ritmo muito apressado e apesar de sentirmos a pressa na voz, não só respondeu à nossa pergunta como ainda nos deu conselhos.

Calatrava, New York City, Fujifilm, Worldyouneedislove
Calatrava project in New York

Chegamos no dia em que acabavam as festas da Agonia, e as minhas redes sociais já se tinham enchido de manifestações de orgulho #somostodromaria #vianaéamor #quemgostavemquemamafica #seriaumaagonianãoiraaromaria, senti-me longe de casa.  Então entrei em Nova Iorque a reclamar, não gosto de cidades grandes. A humidade e o calor que se faziam sentir só ajudaram a intensificar este mau humor.
Tentamos estacionar em New Jersey, difícil, perdemo-nos, mas lá conseguimos. Fomos à cidade e caminhamos: 9a avenida, Times Square, Broadway, Rockefeller center, Empire State lá ao longe.

No dia seguinte, voltamos e caminhamos: Chelsea. Brooklyn bridge, Brooklyn park, ferry boat perto da estátua da liberdade. E os nova iorquinos com os olhos postos no céu. Foi o eclipse do sol.

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Solar eclipse in Brooklyn

E ao quarto dia voltamos a caminhar, acompanhados dos noivos do nosso primeiro casamento: Central Park, city hall, museu de história natural …. Terminamos o casamento exaustos mas felizes e as saudades de Viana perderam-se na azáfama.

Ainda nos faltava visitar o 9/11 memorial. Como referi não pretendo escrever um roteiro sobre Nova Iorque. Mas do memórial tenho que vos falar. Michael Harad, arquitecto Israeli-estado-unidense foi o responsável pelo projeto. E é um sítio diferente, emblemático e que alcança um significado tão próprio para cada um. A arte inspira. É um cubo praticamente ao nível do solo, por isso vemos para dentro. A água cai para outro cubo mais pequeno onde não vemos o fundo e nos deixa a pensar no significado de tudo isto e de como o dia 11 de Setembro de 2001 mudou para sempre os que o viveram. Visitem, são na realidade 2 grandes cubos, um no lugar de cada torre.

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9/11 memorial

Voltamos ao nosso mamute, fomos ter com a Duna que acabou por não visitar Nova Iorque e ficou em New Jersey com a melhor pet sitter de sempre e uma história que já contamos.

Em New Jersey acabamos a nossa visita a jantar com vista sobre Nova Iorque. A relação entre Nova Jersey e Nova Iorque é um bocado como a de Gaia e o Porto. A realidade é que Gaia tem o melhor do Porto: a vista. Fomos ao Del Fresco’s Grill em Hoboken. New Jersey está diferente do que vimos em tempos nos filmes. Está cool, moderna,tranquila,… o Del Fresco’s tem um menu americano que nós adoramos, com vários tipos de bifes e acompanhamentos deliciosos. E para terminar um expresso e um bolo de limão de 6 camadas, exacto, impróprio para diabéticos.

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Dinning in the best place

E se a reliadade é que entrei em Nova Iorque a reclamar, no final estava disposta ao desafio de viver por aqui durante um ano, já que dizem “if you can make it here, you can make it anywhere”. Talvez fosse morar para New Jersey.

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New York at night

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O estado de Nova Iorque

Preferimos viajar no nosso mamute por estradas nacionais. Pelo menos para já. Como puderam ver aqui mal passamos a fronteira para os Estados Unidos fizemos logo uma paragem na estação de serviço e continuamos pela nacional no estado de Nova Iorque.
Em pouco mais de 100km percebemos que Nova Iorque é muito mais do que uma cidade. O estado é incrivelmente bonito.

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American flag

Percorremos a estrada com lagos a fazerem-nos companhia de aldeia em aldeia. Víamos portos, uma igreja, uma livraria, um posto de abastecimento e um ou outro deli em cada povoação. E assim fomos seguindo lentamente para sul.

Passamos em Elizabethtown, onde se inspirou a realização do filme homônimo e perguntamos por um sítio para comer na aldeia seguinte: Westport. Queríamos ir até lá porque tínhamos lido que havia uma pequena festa e à falta da romaria da Agonia era o que se arranjava para matar saudades.

Westport

Em Westport recomendaram-nos um deli, o café tinha 3 mesas, estacionamos à porta e entramos para um lanche ajantarado. Aproveitamos para usar a internet da livraria em frente e prolongamo-nos a ver a vida de uma aldeia onde todos se conhecem.

Ouvimos comentar que naquela noite havia fogo de artifício. Não podíamos perder, às 21 horas fomos em direção à festa e estourava o último foguete, perdemos o espetáculo. Mesmo assim ainda podemos ver o típico de uma festa local nos USA: animais, carróceis e barracas de comida com pizza, cachorros, limonada e uma iguaria que nos arrependemos de não provar: oreos fritas.

Dormimos na carrinha à porta da biblioteca. A primeira noite fora de um parque de estacionamento. Acordamos, voltamos ao Deli para umas torradas e café e seguimos para a praia local. Soltamos a Duna que correu livre pela primeira vez em mais de 30 dias. A verdade é que embora o Canadá seja considerado um dos melhores países paa viver, ficamos com a sensação de que existem muitas regras e que muitas vezes mais valia colocar um cartaz a dizer: “no fun!” Não podemos soltar os cães, nadar nos lagos, correr em muitos dos parques,…

 

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New York State wonders

Ainda antes do almoço saímos para conhecer alguns dos muitos lugares mágicos deste estado. A primeira paragem foi palco dos jogos olímpicos de inverno de 1932 e de 1980. E no verão converte-se numa estância de férias com os hotéis que no inverno atendem os amantes de neve a mostrar o seu lado mais caloroso. Não faltam opções de sítios para ficar: Crown, Hilton, …

As estradas apontam nos para percurso de trail e prometem-nos vistas incríveis, acabamos por nos render a um no Blue Lake. E até a Duna saltou para a água. Que saudades do silêncio.

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Seguimos caminho até Indian lake, o sol já de ponha e queríamos estar à hora de jantar num local sossegado. Fomos a um dinner talvez o único do local, com o nome Indian Lake Tavern. O ambiente era incrível, o menu tinha mesmo aquilo de que vínhamos à procura: chili, Mac and cheese e puré. Ao entrar no restaurante sentimo-nos a entrar num filme, todos se conheciam, cantavam as musicas que passavam, jogavam bilhar,….

Voltamos a dormir em frente a uma biblioteca e partimos de manhã descendo as Caterskills.
Mas choveu, choveu, choveu! Passamos pelo percurso que queríamos fazer a pé e a chuva não deixou. Até em Woodstock passamos. Mas fomos seguindo para o nosso próximo ponto: cada vez mais perto de Nova Iorque.

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Mamute

Chegamos às margens do rio Hudson já muito perto de Nova Iorque. Conforme nos aproximávamos o trânsito intensificava-se e a chuva não dava tréguas.

Seguimos para mais perto dos stonecrop gardens, local onde iríamos logo pela manhã. No percurso sentimos a Duna muito agitada, olhamos e vimos uma mãe veado com a sua cria. Tiramos umas fotografias eles pareciam habituados a ser famosos. Longe já ia o sossego das Caterskills e dos lagos do estado.

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Na manhã seguinte visitamos os jardins de stonecrop, sítio repleto de árvores, plantas, flores, e animais. E fomos avançando para Nova Iorque!

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Montréal, Fujifilm, worldyouneedislove

Artística Montreal

No dia seguinte aproveitamos para trabalhar, responder a e-mails, planificar.

Tínhamos um encontro a seguir ao almoço. Íamos conversar com o casal do Blog Viajo Logo Existo, vejam, o vídeo que fizemos com eles. Fomos ter ao mercado Jean-Talone, que fica na zona norte da cidade. Aqui as frutas e os legumes estão expostos como obras de arte. Eu delicio-me com tudo o que seja comida, e tudo transbordava amor. Ficamos por ali a ver as pessoas trabalharem a comida com amor.

Jean-talons market, worldyouneedislove, Fujifilm
Jesn-talone market

Nessa noite, tínhamos um bilhete para ver a Aura. Um espetáculo de luzes e som na basílica de Notre-Dame. A basílica estava repleta de pessoas. O espetáculo é incrível, primeiro há uma parte de som e depois uma dedicada a imagem onde vemos as estações do ano, infelizmente não é permitido tirar fotografias.

Montreal ia deixar saudades, mas ainda havia muito por ver. Teve que ficar para o nosso terceiro dia na cidade.
Acordamos cedo porque ainda queríamos passar a fronteira antes do anoitecer. Fomos ver o nascer do sol no Mount-royal com uma vista imperdível sobre a cidade, e depois de 2 dias a deambular pela cidade já conseguimos identificar os edifícios mais emblemáticos.

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Montréal from the top

Já com os horizontes alargados rumamos ao porto e ao bairro vieux-Montreal. O mamute dá-nos liberdade para percorrer a cidade ao nosso ritmo e saltarmos de um sítio para outro com facilidade, desde que haja estacionamento. Na parte antiga de Montreal onde se instalaram os primeiros franceses é onde fica a basílica de Notre-Dame e o local com mais turistas da cidade. Antigamente era um local de cargas e descargas para as embarcações. Hoje são mais de 2kms de passeios largos com ciclovia, roulottes e restaurantes.

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Bairro antigo de Montreal

Para nós pareceu-nos perfeito. Estava um belo dia de sol. E apeteceu-nos ficar cá para sempre.

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Montreal, imperdível

O Canadá é constituído por estados que tem livre arbítrio para se independentizarem se desejarem. Montreal fica no estado do Quebec e de 10 em 10 anos fazem novo referendo. Mas apesar de se sentirem diferentes do resto dos canadianos sabem que estão melhor com eles como nação. O que os distingue não é só falar francês. Eles são mesmo uma mistura de ser canadiano com europeu.

Montreal é uma cidade bilíngue mas acima de tudo com um “bilifestyle”, como a água de dois rios que ora se misturam ora se separam. Montreal é igual a ela própria e não pode ser comparada.
Uma das metrópoles mais visitadas do Canadá, foi o seu centro económico durante longos anos. Um amigo contou-nos que a cidade perdeu o título para Toronto quando o estado do Quebec começou a falar na independência, já que muitas empresas tiveram receio e saíram.

Depois da nossa primeira noite na cidade, que falamos aqui.

 

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Montreal graffiti with Namorarte shoes 

Começamos a manhã seguinte a deambular de grafitti em grafitti, a cidade respira arte.  Nós sentimos o seu ambiente alternativo, demoramo-nos nas ruas. Tivemos a sorte de ainda ver grafittis a serem terminados e noutro o próprio autor tirava fotos e divulgava o seu trabalho.

Até que fomos surpreendidos por um fulano de bicicleta com uma prancha de surf! “Hey man, where do you surf here?” Gritamos, e ele respondeu de volta: Habitat 67! Ficamos curiosos e prometemos uma visita,  por agora seguimos caminho pela Rue St. Catharine. Um paraíso para quem gosta de compras, não para mim claro, que eu não gosto nada!! (ler com ironia). A rua levou-nos por entre cafés e restaurantes ao museu Des Beau-Arts e ficamos rendidos a mais uma obra de arte: desta vez ao ar livre.

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Walk in Montreal

Em Montreal, em pleno mês de Agosto parece que o frio nunca se faz sentir e que o inverno não está a chegar, os restaurantes tem grandes janelas abertas para a rua e as pessoas demoram-se nos parques.
Passeamo-nos pelo Cartier des Spectacles. Andamos despreocupados pela Rua Saint-Denis, e paramos num bar para uma Budweiser antes de seguir para o estádio olímpico.

Olímpic stadium, Montreal. Fujifilm

Os jogos olímpicos de Montreal foram em 1976. Ao chegarmos às imediações do estádio olímpico vemos o que já tínhamos visto nas notícias. O estádio é agora ocupado por migrantes que fogem dos USA com receio de serem deportados e procuram no Canadá uma segunda vida. São 250 por dia que cá chegam e o governo ajuda em todo o processo de legalização.

Do outro lado do estádio fica o jardim botânico e o biodorme, optamos por não visitar. Não permitem cães. Como o sol ainda não se tinha posto obrigamos o mamute a levar-nos para ver o Habitat 67. Vimos uma praia com uma onda continua e muitas pessoas a arrumar as pranchas de surf nos seus carros. O Ivo não trouxe a prancha, e ainda não chegou a altura de comprar uma. Em breve, haverá mais surf por aqui.

Seguiu-se mais uma noite a dormir no parque de estacionamento… ah, como ansiamos sair das cidades.

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Niagara Falls, repetir memórias

Como já terão lido por aqui, nasci no Canadá, e apesar de ter ido ainda bebe para Portugal, voltei quando tinha 12 anos.
Foi a primeira vez que realizei um sonho, andar de avião, ir ao país de que tanto ouvia falar, idiomas diferentes, sabores diferentes, cheiros diferentes.

Niagara Falls, drone, Worldyouneedislove
Niagara Falls

Foi isso que me marcou quando fui a Niagara Falls há quase 20 anos: o cheiro, não das cataratas mas das ruas. Estava ansiosa por voltar e ver se ainda se mantinha.

Niagara Falls fica na fronteira com os Estados Unidos, é uma cidade que vive essencialmente do turismo e que tem as cataratas do Niagara. Niagara significa trovoada de água. Apesar de não serem muito altas, as cataratas do Niagara são extensas e são a maior queda de água na América do Norte.

Ao chegarmos sentimos logo que estávamos noutro Canadá, o do turismo: onde a simpatia se mostra em troco de dinheiro.  Estacionamos o nosso mamute a 1 ou 2 km e fomos indo a pé, as ruas que nos levavam começaram a ficar cada vez mais preenchidas.

Duna, Niagara Falls, fujifilm
Duna and the falls

Connosco a Duna, que deslizava entre as pessoas, e lhes dava um sorriso quando sentia que eram de confiança. Pelo caminho: Hard Rock Caffe, Planet Hollywood, Starbucks, Mac Donald’s, Dairy Queen, lojas de lembranças,… e chegamos. Nós e umas centenas de pessoas. Aproximamo-nos e vislumbramos boquiabertos. até sermos perturbados pelo latir da Duna, que ficou terrivelmente assustada com o som das cataratas.

Sofia and Duna

Na rebentação, vemos 2 barcos que levam os visitantes, um dos barcos traz pessoas dos Estados Unidos, o outro do Canadá. Só os distinguimos pelas capas impermeáveis que levam: vermelho para o Canadá, azul para os USA.
Caminhamos entre as pessoas junto às cataratas, mas a Duna, não nos deixa avançar mais: está calor, muitas pessoas, muitos cheiros, e o barulho da água. Temos que voltar e adiamos a visita para a manhã seguinte.

Niagara Falls street
Niagara Falls city

Mas antes, tenho que passar na rua cujo cheiro ainda hoje retenho desde o final dos anos 90. Digo ao Ivo, por favor vamos subir por aqui. Damos meia dúzia de passos e ouço-o dizer: que cheiro maravilhoso. Tudo se mantinha. A rua cheia de cor, é uma espécie de feira popular 365 dias do ano.não faltam restaurantes, porta ao lado com casas assombradas, salões de jogos, museu de cera, e as lojas que impreguenam a rua com o seu cheiro: gelados e bolacha americana. Aquele cheiro a doce, naquela rua voltou a ficar-me gravado.

Quem sabe não voltamos lá daqui a 20 anos e tudo se mantém.

Sudbury, casa

Devíamos mudar o título para duas semanas na rua mais feia que já vimos. Pronto, ainda não vimos muitas, no final da viagem vemos se faz mesmo sentido ter Sudbury neste ranking.

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Sudbury

Ficamos numa casa grande, onde era permitido levar a Duna. Mas ficava numa rua mesmo feia, a estrada estava em obras e o cheiro de alcatrão entrava-nos pelo nariz a dentro. Os autocarros passavam de hora em hora, os supermercados ficavam a uma hora a pé. Perto tínhamos o Tim Hortons e o Dairy Queen, pronto, estava tudo a nosso favor.

Duna Dairy Queen
Duna

No primeiro dia, acordamos para mais um dia cinzento, como o da chegada. Mas tínhamos encontro marcado ás 07.00 da manhã. Aqui os dias começam cedo. Andamos com o nosso amigo a ver locais com história na minha vida, mas antes ainda fomos comer um bom pequeno-almoço. Um sítio aberto só ao pequeno-almoço, que sonho. E vimos lá autênticas reuniões de negócios, como os nossos almoços. Pelo caminho fomos ainda ao armazém de um amigo com carros antigos lindos. E claro fomos ver a nossa carrinha.

No segundo dia, ainda estávamos cheios de energia, decidimos ir ao Big Nickel. O níquel, moeda de 5 cêntimos do Canadá, tem uma relação coma cidade, como já falamos aqui. Este Big Nickel foi construído com moedas de 5 cêntimos e teria o valor de 10 dólares, já celebrou 50 anos e é um marco para quem visita a cidade.

No terceiro dia fomos até ao centro da cidade, deu para passear e ir à parada de orgulho gay. Numa cidade feita de motoqueiros e mineiros foi bonito ver a quantidade de pessoas que se juntou e conseguimos ter alguns testemunhos sobre o que é o amor.

Fuji, worldyouneedislove
Rainbow girl
Worldyouneedislove
Badass motorbiker

E depois seguiu-se uma amálgama de dias, onde entre ir experimentar o drone, enviar e-mails, ir ao supermercado a pé (45m para cada lado) não há muito a registar. Só queríamos a nossa carrinha pronta.

Veio o sol e decidimos ir ao lago Ramsey. Tivemos um bocadinho de praia, e cheiro a verão. O lago Ramsey fica dentro da cidade de Sudbury, cheio de casas à volta e dá as suas margens ao centro de ciência – science north, museu de ciência interactivo. A associação Rainbow Routes promove ótimos trails na zona e tivemos a sorte de experimentar o primeiro trail de comida, onde nos levavam aos melhores restaurantes e nos davam comida grátis. Uma super surpresa que animou o nosso sábado.

No entretanto tivemos o prazer de ser entrevistados para o Sudbury Star e estar com mais alguns antigos amigos da família.

Os últimos dias foram já focados na carrinha: seguro, comprar material extra para ter no carro como óleo e assim.

E agora estamos quase a partir. Finalmente!

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Sudbury, feita de história

Eu nasci em Sudbury, a qualquer pessoa que eu dissesse isso fora do Canadá teria que explicar, fica mais ao menos perto de Toronto. Bem, fica a quatro horas de Toronto, mas para os canadenses é bem perto.

Acho que herdei isso do Canadá, sempre andei de Viana para Braga, Porto, como se fosse um trajeto curto e não o fim de mundo que muitos pintam. Mas o que sabia eu sobre Sudbury?

O meu pai imigrou para aqui quando era ainda muito jovem, 16 anos, veio morar com uma irmã. Sei que passou alguns dos melhores anos da sua vida aqui. Ao contrário de Portugal antes de 1974, aqui havia liberdade, eram os anos 70 num país tão jovem, tão novo, tão liberal. Nem quero imaginar as festas. Acabou por montar aqui uma empresa com uma amigo – Douro Roofing. Casou, nasceu a minha irmã, eu, e decidimos ir para Portugal. Mas as memórias ficaram, e o meu imaginário foi-se enchendo de histórias. Conheci alguns amigos, ouvi mais historiais, mas eu sabia muito pouco sobre a cidade.

Viemos parar aqui porque o antigo sócio do meu pai, e atual grande amigo nos deu uma ajuda com a carrinha, que precisávamos para seguir viagem.
Antes de chegar, os meus primos que moram em Toronto mas nasceram em Sudbury disseram-me que segundo um estudo recente era a cidade com as pessoas mais felizes do Canadá. Uau, mal podia esperar.

Conduzimos de Toronto a Sudbury num dia cinzento e encontramos uma cidade sombria, escura, com grandes chaminés. Não podia ser isto. As pessoas mais felizes do Canadá aqui? Tivemos o privilégio de cá ficar 10 dias enquanto preparávamos a carrinha. E descobrir esta cidade tão incrível.

A sua história remonta há mais anos atras do que aqueles que podemos contar. Há 1 850 milhões de anos, ocorreu aqui um dos maiores cataclismos registados na superfície terrestre. Um meteorito embateu contra a terra e deixou aqui uma herança rica em minérios de níquel e cobre. A colisão deixou uma cratera de aproximadamente 160 a 280 km de diâmetro, e o asteróide deveria ter aproximadamente 10 kms, refere o geólogo Cannon num dos seus artigos. A cratera foi descoberta por acaso, quando os engenheiros construíam a ferrovia Canadian Pacific em 1885. Esta é a segunda maior no planeta Terra, atrás da Cratera de Vredefort na África do Sul. Nas rochas de Sudbury o níquel, cobre, platina, paládio, ouro e o irído são encontrados em concentrações elevadas. Esta é, por isso, uma cidade de mineiros, de gente simples, de trabalho.

 

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Sudbury chimney

Segundo um amigo, quando chegaram cá alguns dos primeiros portugueses não havia nada verde na cidade, assemelhava-se à lua, as chaminés que serviam para extrair o fumo das minas não eram suficientemente altas e o que saia delas matava tudo. Hoje Sudbury tem a segunda chaminé mais alta do mundo e nunca diria que foi o árido local de outros tempos.

Em Sudbury, um Níquel (moeda de 5 cêntimos) vale muito mais do que 5 cêntimos.

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Big Nickel

Mas porque é que em Sudbury temos as pessoas mais felizes do Canadá? Segundo o site Buzzfeed não faltam razões. Mas eis as 5 principais:

1 – tem algumas das paisagens mais incríveis de Ontario, com uma incrível skyline;
2 – são a casa de mais de 330 lagos, por isso ter uma casa com saída para o lago é algo normal;
3 – são tantos lagos que podem pescar durante todo o ano;
4 – a arte nas ruas inspira confiança;
5 – sabem realmente como celebrar as pequenas coisas, celebrando o poder de um níquel;

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Lake Ramsey Sudbury

E a todos os que nós perguntamos a resposta foi: o grande sentido de comunidade e entre-ajuda.

Também nos apercebemos que é uma cidade onde o custo de vida é menor e os salários são bons. Segundo o nosso amigo: são a cidade mais feliz porque sabem fazer dinheiro e guardar o dinheiro.
Nós por cá, ficamos felizes de ter começado aqui.

Todas as fotos tiradas com a Fujifilm X-T2.