Introdução ao Vietname – Hanoi

Hanoi é a capital do Vietname. Nunca na minha vida me imaginei a visitar o Vietname. Não sei se por parecer um sítio longínquo ou se havia muitos outros sítios onde ir antes, por isso não sabia bem o que esperar. Depois de descer do autocarro procuramos um táxi que nos levasse até uma homestay que tínhamos visto. É muito típico no Vietname as homestays, ou seja, ficar na casa de alguém. São uma espécie de albergue. E se escolhermos bem são limpas, caseiras e cheias de sorrisos.

Ficamos 3 noites, conhecemos a cidade, palmilhando-a. Cheia de cafés, e bares de chã, com pastelarias de fazer inveja a Paris, com um “je ne sais quo”, com uma forte personalidade que nos faz odiar e amá-la ao mesmo tempo.
Os passeios não são para andar a pé, são para estacionar as motas, a berma não é para andar a pé, é para caber mais uma mota, as passadeiras não são para atravessar, são para as motas esquivarem os peões, as buzinas não são para se usar em caso de perigo mas sim a todo o momento, se calhar o perigo está lá sempre, não é?

No trânsito do Vietname a prioridade faz-se do meio de locomoção maior para o mais pequeno. Ou seja: o camião é o que tem maior prioridade, depois o autocarro, segue-se o carro, a mota e no fim da cadeia: o peão. As motas que devem ser praticamente uma por habitante acima dos 14 anos, dos mais de 6 milhões que fazem a capital do Vietname, não cabem só na estrada. Andam pelos passeios, apitam para nos desviarmos, fazem sempre o caminho mais curto mesmo que isso implique ir em contra-mão. E nós ali no meio, novatos nesta arte do safe-se quem puder, só queriamos berrar para eles pararem. É um bocado como estar numa arena a fintar o touro.

Foram 3 dias sem ver o céu azul, sem ver o sol, só nuvens e pouição. Mesmo no verão apenas se vê mais claridade, explicam-nos, nunca o sol. Mas isso não impede os vietnamitas de aproveitar a rua. Ao final do dia e nas horas das refeiçoes os passeios convertem-se em salas de estar, ginásios, salas de jantar. Jogam badminton, sentam-se em cima das suas motas e conversam, agacham-se e jogam um jogo de tabuleiro, ou num pequeno banco descansam enquanto comem uma sopa local.

O Pho é um dos pratos mais famosos do Vietnam. Uma sopa de noodles, em que o caldo sabe a bife ou frango e que depois tem ainda as ervas mais frescas. É impossível ficar indiferente. Mas aqui em Hanoi o prato mais acarinhado é o Bun Cha. E quando o Obama e o Bourdain se juntam é mesmo isso que vão experimentar. E nós fomos atrás. Uma sopa com ervas e especiarias frescas, servida com barriga de porco muito fina grelhada a carvão, e noodles de arroz. No combo “Obama” como se chama agora que a imagem do ex-presidente dos Estados Unidos correu o mundo naquele restaurante, também vem um pastel em massa filo com porco picado e gambas. Tudo delicioso, mesmo. Mas o sítio não é o mais limpo de todos.

Sai de lá a salivar e com a certeza triste de que dificilmente voltarei a comer este prato de forma tão bem-feita. Mas é mesmo isso que é uma viagem, experimentar e dizer adeus. Ficar com vontade e voltar por um bun Cha e um pastel de 3€.

O prazer da Liberdade

Descalçarmo-nos ao entrar num templo ou numa casa, hostal, hotel, e até algumas lojas na Ásia é obrigatório. E para mim este gesto tem muito de simbólico. Descalçarmo-nos, libertarmo-nos. Ter sapatos hoje em dia é um dado adquirido para nós, mas na minha família há tios que caminharam descalços. E não serão os sapatos símbolo de tudo aquilo a que nos vamos prendendo? Sapatos desconfortáveis para trabalhar, para aquele ato formal que nos apetece tanto ir, só-que-não. Sapatos que nos lembram que temos que ir correr…. sempre a tirar a nossa liberdade.

Aqui há crianças que correm sem sapatos. Não porque não os tenham mas porque assim são mais rápidas, mais livres. Há mulheres que vão de mota descalças, porque assim sentem nos pés o sabor do vento e da liberdade. Há monges que fazem as suas tarefas nos templos sem nada a proteger-lhes os pés e lembrando-se assim de quanto estamos ligados à terra. De como temos que sentir que somos parte dela e não que ela é nossa.

Sempre adorei andar descalça. Mas a sociedade atira-nos com regras a todo o momento e cada vez se metem mais na nossa vida, deixando muito pouco para a nossa liberdade. Tirando-nos a criatividade, tornando-nos robôs, fazendo de nós seres mais infelizes e muitas vezes menos humanos. Estamos tão ocupados a obedecer a todas as regras que nos esquecemos de tirar os sapatos e pisar aquela relva que diz: Por favor não pisar! E se alguém o faz já vamos cheios de moralismos. Regras, regras, regras… no Japão os peões não passam o sinal vermelho mesmo que a rua esteja bloqueada para obras e não vá passar nenhum carro, eu vi isto!

A cada dia  somos proibidos de mais qualquer coisa, comprar um doce no hospital, acrescentar sal nas minhas batatas,… a cada dia que passa somos engaiolados, calçados com os sapatos mais desconfortáveis.

Aqui as crianças brincam com um pau, o baloiço é uma árvore. Em casa olhamos para os brinquedos para garantir que respeitam as normas de segurança. Deixem os brinquedos na prateleira e deixem os miúdos brincar com a imaginação. Tirem os sapatos enquanto caminham na terra molhada. Dancem!

 

Isto foi o Laos para nós, foi aprender que a liberdade é vida, que não precisamos de amarras, de nada para ser feliz, só de nós e de um monte de amigos como nós.
O país é bonito mas não aquela beleza de selva luxuriante da Nicarágua e da Costa Rica, os templos são bonitos mas modestos, as pessoas são simpáticas mas não estão sempre a sorrir como na Tailândia, mais reservadas. O rio Mekong acompanha o país e a sua pacificidade parece moldar o carácter das pessoas.

A calma, o amor, a vontade de ajudar estão lá em cada momento.

Ficamos mais de uma semana em Luang Prabang, depois desta viagem para cá chegar, festejamos o ano novo, passeamos pela cidade, fomos as cascatas mais bonitas que já vimos, acordamos cedo para ver os monges a receberem comida do povo e procuramos um casamento.

 

Não imaginávamos que este casamento nos iria mudar. Pode ser que ao voltar a Portugal nos esquecemos do que é andar descalços, mas pelo menos um dia soubemos. Não imaginava que existiam pessoas assim. Tinha na minha ideia que algum dia pudessem ter existido mas vi-as tão felizes, com tão pouco, a dançar e a rirem-se. Tão bonitas! É o momento que mais vou querer guardar! Tinham vida na alma e os olhos transbordavam simplicidade!

Este vídeo procura resumir um bocadinho como vivemos este casamento:

 

 

Bangkok ao rubro

Chegamos  a Bangkok sonolentos de uma longa viagem de 12 horas desde Koh Pangan. Tínhamos marcado o local onde íamos dormir pelo booking e visto que estava numa zona recomendada mas não fazíamos a mais pequena ideia onde era. Saímos do autocarro, olhamos para o GPS e estávamos a uma pequena distância a pé do hotel, mal dobramos a esquina sentimos que tínhamos entrado num filme. Estávamos em Koh San Road, atrever-me-ia a dizer a rua mais movimentada do mundo. Era música alta em todos os bares, vendedores de comida de rua por todo o lado, pessoas a dançar, turistas, mochileiros, locais,… no trajeto até ao hotel vimos de tudo, de tudo mesmo. não estivéssemos nós na terra dos lady-boys, Bangkok.

O hotel, um modesto hostel, onde tínhamos quarto com casa de banho individual seria o nosso refúgio da cidade durante os próximos dias. E era tão feio o nosso quarto que nos parecia querer empurrar para aquela cidade.
Sempre gostei mais de visitar cidades que não tem obrigatoriedades… “ui, se vais a Roma não podes falhar o coliseu, e Paris: corre já para a torre Eiffel, são sítios belos mas perdermo-nos numa cidade é o melhor de tudo… E assim fomos conhecendo Bangkok, sem obrigatoriedade e sem pressa. A cidade assusta-me parece que podemos ser engolidos por ela e que nunca ninguém nos encontrará se nos perdermos. Lembram-se do filme “A ressaca 2” eles dizem mesmo isso do cunhado do Stue… perderam-no? Agora é a cidade que o tem, podem não voltar a vê-lo…

De dia visitamos a cidade: o Buda deitado, o crematório, os templos impressionantes, limpos, cheios de significados, fomos aos centros comerciais, mercados fora e dentro da cidade e à noite voltávamos sempre aquela rua onde tudo se pode passar. Optamos por viajar em Tuk-Tuk, aprendemos a arte de negociar, não pagamos mais de 2,5€ para ir a qualquer lado. E la íamos numa viagem que nos permitia ver mais da cidade mas que se tornava incomodativa pelo bombardear de cheiros diferentes, muitas vezes maus e da poluição que nos consumia os pulmões .
Não houve um dia que conseguíssemos ver o sol a brilhar claramente, a nuvem de poluição é tão densa.

 

A cidade tem carisma, personalidade, se lhe tivesse que atribuir uma personagem seria um monge adolescente; porque tem sabedoria, tem os conselhos dos ancestrais mas tem um espírito jovem, de liberdade, de “faço o que eu quero” e de descoberta.

Tivemos dois dias diferentes: um em que aproveitamos para ir ver o Star Wars em 4d, foi uma experiência fantástica, e as salas de cinema um verdadeiro luxo e outro em que saímos fora da cidade e fomos conhecer dois mercados.
O mercado do comboio, onde as pessoas se alinham com as suas tendas ao longo da linha e sempre que o comboio passa, várias vezes por dia, eles retiram tudo e voltam a colocar depois do comboio… parece magia. O mercado apesar de carregado de turistas é ainda um sítio verdadeiro e eu ainda levei um pequeno murro na perna de uma velhinha que queria fazer as suas compras e só queria que eu lhe saísse da frente. Turistas malditos!
Depois fomos para o mercado flutuante, este pareceu-nos mesmo só para turistas, mas a zona é impressionante porque é uma vila sobre a água e aí sim podemos ver como vivem as pessoas fora da cidade.

E no meio de tudo isso ainda houve tempo para comer, e comer muito bem. Se há pesquisa que faço antes de ir para um sítio é os lugares para ir comer. E nem de propósito há 10 dias atrás a senhora Jay Fai havia ganho uma estrela Michelin. O primeiro restaurante de rua em Bangkok a ter esta distinção, juntando-se assim a outro na Singapura e  no Japão. E nós fomos, claro que fomos.

Só que o condutor do nosso Tuk-Tuk deixou-nos uns 50 metros à frente e quando vimos uma enorme fila achamos que seria aquele e à bom português lá fomos nós para a fila. Lembram-se deste sketch do gato fedorento? Foi mais ao menos isto. Vimos que a especialidade era Pad-Thai e pedimos, mas achei estranho porque tinha lido que se faziam outros pratos. Foi quando já estávamos a comer que vi que o nome nada tinha a ver com o outro sitio. Mas era delicioso.

Andamos um bocadinho mais e lá estava a senhora, a cozinhar com os seus óculos de mergulho. Num restaurante sem manias, sem placas, sem pretensões, e sem grande fila. Isto porque as pessoas têm que dar o nome e esperar pela sua vez. No dia seguinte chegamos lá eram 4h da tarde e já havia uma lista de espera de 2 horas. A senhora é que confeciona todos os pratos, apenas com uma ajudante e por isso pode demorar.
Foi um sonho tornado realidade, ir a um restaurante com estrela Michelin. Comemos muito: 4 pratos mas queríamos aproveitar para provar todas as especialidades e não ficamos nada desiludidos. Este pessoal da Michelin realmente sabe o que faz. O sítio está limpo mas a senhora cozinha mesmo na rua, com os seus óculos de mergulho por causa dos fritos. Pagamos 50€ os dois, bebemos duas cervejas de meio litro cada e pedimos duas das especialidades mais outros dois que nos pareceram bons de mais. Sabemos que isto só é possível em locais como Bangkok, em que a comida de rua é mesmo uma instituição.

Acabamos por saltar alguns sítios de comida que eu tinha visto porque ou eram muito longe ou depois não faziam sentido como este do maior gelado de sempre com 20 bolas de gelado. Ainda passamos à porta mas para duas pessoas eram ridículo. Ficará para uma próxima vez.

As praias da Tailândia

Num país onde se deseja bom dia usando a frase: ja comeste arroz hoje? Eu sabia que estaria bem entregue, como é que possível ter um bom dia sem comida? Posso mesmo arriscar dizer que o melhor que levei daqui foi a comida. As praias da Tailândia são lindas, mas nós estamos cada vez mais exigentes.

Ainda nos estamos a habituar a isto de ser mochileiros, à vida de hostel, autocarros, e comboios por horas a fio. Talvez por isso ainda não tenhamos saído tanto do nosso eu para conhecer os tailandeses. As vezes estamos demasiado cansados para um esforço desumano de uma conversa em que eles não percebem nada do que nos dizemos e nos nada do que eles tentam dizer. Pedir para deixar a mochila no hostel durante umas horas pode ser um autêntico jogo de mímica. Se calhar foi por isso que não achamos que a expressão terra dos sorrisos estivesse assim tão ajustada à Tailândia. Contudo, à data deste post ainda nos falta uma semana e tudo pode mudar.

Começamos como já referimos aqui, por uma viagem pra Phuket. E só acreditei que não estava na Rússia pelo calor que se fazia sentir…. bares de russos, placas em tailandês e russo, recepcionistas a falar russo, …
Os dias que passamos em Phuket foram as nossas férias. Eu sei que vocês acham que nos estamos há quase 6 meses de férias, mas ha semanas que são férias das férias… fizemos praia, surf e comemos, umas vezes melhor que outras.

A praia de Kata dá para umas ondas não muito grandes e se não fosse a quantidade de gente na rebentação seria até uma boa praia, palavras do Ivo que acredita que na época das moções seja muito melhor, Fomos ao mercado e ainda provamos algumas iguarias como umas salsichas locais, espetadas de carne, e pad Thai. Mas foi quando nos aventuramos um bocadinho mais longe e visitamos uma shophouse que sentimos que estávamos a comer a verdadeira comida tailandesa. Um ótimo pad Thai e um arroz frito que estarão entre os melhores que comemos até agora, o sítio estava cheio de locais que paravam ali para uma rápida refeição ao almoço, conseguimos pedir e uma senhora que limpava as mesas esforçou-se para nos dar a entender que especiarias tínhamos que usar para ficar ainda mais saboroso.

Sabíamos que as férias não podiam durar para sempre, mas as praias da Tailândia não ficavam por aqui. Marcamos a nossa viagem para Koh Pha-ngan. Uma ilha no Golfo conhecida pela sua festa de lua cheia, e pela oportunidade de fazer mergulho. Uma dolorosa viagem de autocarro de 4 horas mais 3 de barco levou-nos lá. E os dias que lá passamos foram marcados pela comida uma vez mais, descobrimos um restaurante de um indiano com comida tailandesa e indiana que nos despertou o palato. Lá provei uma sopa local que deve ser a mesma sensação de comer um jardim: água quente com milho, tomate, cebola, cenoura, gengibre, jasmin,… pode não vos soar bem mas eu adorei. Tudo isto sempre acompanhado de arroz. Assim como o red curry, outro prato típico deste país e o massama curry, ainda faríamos uma aula de cozinha para despertar mais os sabores.

Não haveria lua cheia até ao ano novo por isso nada de festa. Aproveitamos o paraíso para um dia de snorkel. Mesmo nas praias da ilha basta nadar um bocadinho e é possível ver milhares de peixes de todas as cores.

E foi assim que nos despedimos da vida de praias da Tailândia, Bangkok esperava por nós.
Partimos para mais uma viagem de 4 horas de ferry e 6 de autocarro. Na Tailândia alugar uma mota custa por dia 5€. É uma forma perfeita para uma pessoa se deslocar nas ilhas mas o nosso barco parecia mais uma enfermaria  tal a quantidade de pessoas com pensos, mancas e esfoladas que estavam nele. Agradecemos não nos termos aventurado.

Ficamos com alguma pena de não ter ido às Phi-Phi, onde foi filmado a Praia e à ilha do James Bond, mas lemos que havia imensos turistas e aliando isso aos preços praticados optamos por descobrir um paraíso menos frequentado.

E para quem já foi, quais foram as praias da Tailândia que mais gostaram?

Nova Iorque no Inverno

E desta vez temos dicas de Nova Iorque.

Para quem está a pensar ir aconselho a passarem pelo site da TimeOut Nova Iorque, e está dica vale sempre que forem para uma grande cidade. Depois sigam-nos no Facebook e 15 dias antes comecem a ver o que partilham, há sempre festas, mercados,… E foi assim que também descobrimos alguns sítios muito giros.

Ficamos a dormir em Brooklyn e sentimo-nos uns verdadeiros New Yorkers, não pagamos mais de 50€ por noite, tínhamos várias linhas de metro a 5 minutos. Podemos deixar a Duna descansada durante o dia e lá íamos nós.

Como sempre começamos pela B&H – mega loja de fotografia! Fomos comprar uma mochila para todo o material na viagem, agora somos backpackers. E de lá começamos as nossas caminhadas, foram perto de 18km por dia.

Tinha começado a época de Natal, chegamos na noite da Black Friday e por isso perdemo-nos nos mercados e mesmo nas lojas mais turísticas como a dos M&Ms, Disney, Victoria Secret,…  Ainda demos um salto para ver as montras de Natal mais bonitas pela zona de Times Square.

Fomos ao Maddison Square Garden e de la partimos para o Rockefeller Center. Paramos na famosa Magnólia Bakery mas em vez de cupcakes pedimos o pudim de Banana e estava delicioso. Vem num pote meio desfeito e vale todos os dólares que pagamos por ele.
Seguiu-se depois uma ida à Central Station que tínhamos falhado da outra vez e mesmo atrás da Estação há um espaço mais alternativo para almoçar em que todos os restaurantes tem um aspecto delicioso, vimos donuts com um ar de vou-engordar-5-kgs-só-de-olhar. Mas o nosso destino ali era a Roberta’s Pizza. É pizza ao estilo italiano com massa fina em forno de lenha e foi muito bom mesmo.

De lá ainda caminhamos até ao Upper East Side, com uma caminhada pelo Central Park e pelos Bethesda Terrace, que para os fãs de Gossip Girl como eu foi onde o Chuck e a Blair se casaram. Ela vestida de Elie Saab!!! Aproveitamos para tirar muitas fotos. Estava frio mas depois de 5 meses de calor, confesso que tínhamos um bocadinho de saudades.

Depois rumamos a Brooklyn e jantamos por lá num dinner que não merece nenhuma menção honrosa mas satisfez os nossos desejos.

No dia seguinte decidimos andar pela High Line. Caminhamos muito para aquecer, parecia que a qualquer momento ia nevar. A fome começou a apertar depois de ao pequeno-almoço já termos devorado um bagel de Brooklyn com creme cheese e um enorme muffin de banana. A minha pesquisa de bons restaurantes para comer era longa, por isso não foi difícil encontrar um por ali depois do Chelsea Market. Fomos comer um delicioso Mac and Cheese num restaurante que tem Mac and cheese de tudo! E coincidência das coincidências mesmo ao lado ficava um clube de sobremesas. Entramos e estava cheio, pedimos um lava cake com gelado e um cone feito com massa de churro mas que dentro estava carregado de gelado. Pedi o sabor red velvet e ficamos cheios até ao dia seguinte!

Com este estrago todo, no nosso último dia optamos por andar por Brooklyn, passear a Duna e ir comer ao supermercado. Acabamos por ficar mais um dia porque a Tap nos tramou um bocado e cancelou o nosso voo. Mas depois daquela noite não dava para grandes passeios.

E vocês o que é que mais gostaram de comer em Nova Iorque?

A América, um continente de amores

Ficou tanto por ver neste Continente, o Novo Mundo,  como muitos lhe chamaram. É difícil resumir o que se passou nestes 5 meses. Algumas coisas foram tão boas de tão vividas que nem fotos temos para partilhar, estávamos muito ocupados. Na América não poderíamos escolher um destino, um país, uma zona, uma experiência. Foi tudo junto que nos deu estes 5 incríveis meses. Em cada país, como país aprendemos coisas:

Canadá –  caramba, vocês sabem fazer as coisas. Um país seguro, com pessoas felizes, onde se pode viver com conforto. Onde há um sistema social. A natureza é uma prioridade. Um exemplo de país desenvolvido, não fosse o frio, e a falta de locais para surfar (aquela onda em montréal não conta) e íamos para lá morar. O país mais completo da América

Lake, Ramsey, Fujifilm, worldyouneedislove. Sudbury
Lake Ramsey Sudbury

Estados Unidos da América – uma surpresa, completamente capitalista este país faz-nos ver o caminho que não devemos seguir. Somos fãs de algumas teorias da conspiração. Percebemos que eles não vão por um caminho saudável quando os restaurantes das aldeias mais pequenas não se chamam: café Central, ou restaurante central mas sim McDonalds, Pizza Hut, BurguerKing,… mas tem uma riqueza cultural única. No mesmo país, na mesma Costa, cidades como: Nova Iorque e Nova Orleães conquistam. Sem falar dos parques, das montanhas do estado de Nova Iorque, do interior do Louisiana, do Alabama,.. Aqui havemos de voltar, temos que ir à Costa Oeste. O nosso primeiro casamento: num país tão grande, tivemos um dia tão intimista, sentimos que fizemos dois amigos: a Lipaz e o Reem.

Worldyouneedislove, Fujifilm, New York State

México – com uma cultura imensa, um país que poderia ser riquíssimo pelos seus recursos, pelas suas pessoas. As paisagens do Norte são de cortar a respiração. O centro fervilha de vida que se sente em cidades como Puebla. E o Sul, tão tranquilo, com pessoas tão calorosas: o Jorge, o Pedro,  os amigos que fizemos em Bacalar. As estradas não foram as melhores mas ficou como um país onde mais estivemos com os locais. Onde também mais nos sentimos um deles, e o casamento. Bem, o casamento foi a maior diversão, dois dias de festa. Uma tradição que queremos ver em Portugal, afinal a vida são dois dias, e festa é festa!

Belize – ficamos tão pouco tempo, e com tanta vontade de conhecer mais, mas principalmente de comer mais comida caribenha. Serviu como convite para ir explorar o Caribe. Quando cruzamos a fronteira quer  do México, quer  da Guatemala sentimo-nos logo noutro lugar. As pessoas são mais altas, de outra cor, falam inglês, e tem um sorriso de calma e tranquilidade que nos extasia.

Guatemala – o tempo ameno convidou-nos a ficar mais tempo. Tikal foi um património incrível que exploramos com toda a sua vida selvagem, percebemos porque é que os Maias escolhiam viver aqui. E Antigua que se agarrou a nós, fizemos amigos. Passamo-nos pelas suas ruas e tivemos a nossa prova mais difícil: o Acatenango.

Walk, Worldyouneedislove, Fujifilm.
Walking in Antigua streets

El Salvador – país pequeno, conquistou-nos pelas estradas e pelo surf. Na estrada havia sinais: cuidado com os surfistas. Só pode ser um bom país. Mas sabemos que essa não é a realidade do resto da país, afastado da Costa enfrenta graves problemas, mesmo assim sentimo-nos seguros e tivemos lá dois dias.

Honduras – não passamos nem um dia aqui. Pareceu-nos muito inseguro, com crianças a pedir na rua. Lemos guias e haveria coisas bonitas para ver, mas não o suficiente para arriscar. Conduzimos durante 8 horas neste país, paramos para almoçar e esperamos não furar nenhum pneu.

Nicaragua – uau! Sabem aquela pessoa que deixou tudo e abriu um bar na praia. Estivemos quase a ficar aqui. Este país, com um governo socialista, e com vizinhos tão problemáticos como as Honduras, está a dar a volta. Saiu recentemente de uma guerra civil, e soube como dar às pessoas o que elas precisam. A saúde e a educação são gratuitas. Durante anos pagou cursos a adultos para gerar emprego. Vimos pessoas a ter aulas de inglês à noite. Sentimo-nos seguros. Pessoas muito boas, e praias por descobrir, com ondas para surfar. Vilas com cultura e uma vibração tão positiva no ar. Já dissemos que podíamos morar aqui?

Costa Rica – acabamos por ficar aqui mais tempo do que o planeado, não nos movemos muito porque o surf estava bom de mais e uns dias de conforto também faziam falta. Com muitos Americanos e Canadianos, aqui vimos que era possível ter uma vida mais confortável, mas por outro lado sentimos já alguns turistas a mais e voltaram às cadeias de fast food. Os preços estão inflacionados para o que realmente valem. Adoramos que seja um país que se preocupe com a sustentabilidade e podemos ver animais incríveis, como passar por cima desta ponte cheia de crocodilos.

Não fomos ao Panamá. Já que não íamos enviar o carro não valia o stress de passar a fronteira. Li que algumas vezes pedem quarentena para os animais. Era hora de seguir para outros caminhos.

Bem, e ficou toda a América do Sul por visitar. E com isto acrescentamos um desejo à nossa lista. Fazer a América do Sul daqui a 10/15 anos, da mesma forma, de carro. Fazer o Brasil de Norte a Sul, pelo interior, e pelo litoral, cruzar o Equador, subir às montanhas do Peru, ir ao Salar da Bolívia, descer pelo Chile para a Patagônia e subir por Buenos Aires e Mendonza. Aí, as senhoras que deixamos de ver, as iguarias que não provamos, o sol do Brasil que não sentimos a queimar-nos a pele, as maravilhas do mundo que não vimos, as paisagens que não nos tiraram o fôlego. Foi difícil decidir, e ainda hoje não sabemos se fizemos a escolha certa. Por isso está marcado na nossa bucket list o regresso. Esperam por nós para fazermos isto juntos?

Costa Rica, pura vida

Sair da Nicarágua e entrar na Costa Rica não é um desafio, apesar de repleta de gente, a fronteira é tranquila. Sem ninguém a querer “ajudar” e com todos os procedimentos bem claros. As estradas que se seguem são boas e a paisagem apesar de mais acidentada com montanhas e vulcões mantém os seus tons de verde. A diferença é que desde cedo a Costa Rica foi inteligente ao se posicionar para o turismo. O facto de não ter saído de uma guerra civil no final dos anos 80 como a sua vizinha Nicarágua foi também uma ajuda.

Quando pensamos em Costa Rica pensamos em verde, em natureza, em vulcões, cascatas e praias para surfar. E tudo isso existe. É um país que promove um turismo sustentável, ecológico. Que preserva as suas espécies, a sua natureza, conscencializa.

Fomos diretos para a praia de Jacó porque tínhamos um encontro lá marcado que depois nos falhou. De lá seguimos no dia seguinte para a capital para fazer o casamento e só ao terceiro dia fomos conhecer esta vila. Muito mais ruidosa, com uma vibração diferente e que não gostamos tanto: mais massificado, casas de stripp, … mas por outro lado também com mais facilidades como um bom supermercado que deu para matar saudades de alguma comida.
Era domingo, a praia da vila cheia de locais que aproveitam o sol e a Pura Vida, muita gente a surfar no mar, um grande areal, os cafés e restaurantes cheios de gente que tanto fala inglês como espanhol. É grande a comunidade de americanos que vem para cá morar.

À noite, no camping junta-se a nós uma família de overlanders do Canadá. Cozinhamos, e estamos a ver uma série quando alguém começa a abanar a nossa carrinha. Devem ser duas pessoas que abanam de um lado para o outro por quase 6 segundos. De dentro gritamos para pararem. Há um momento em que desligam o nosso cabo que dá luz para a carrinha. A Duna está calma. O Ivo sai para ver o que querem connosco para estar a abanar a carrinha, talvez alguém bebado. E ao sair é que nos cai a ficha: terramoto. Ao mesmo tempo sai da autocaravana o Canadiano e ambos gritam: earthquake. Sai atrás, estamos mesmo à beira mar e convém ir ver se há alguma ameaça de tsunami. Estamos a falar com o guarda do camping e sentimos a réplica. 2 segundos, e saiu da terra um barulho. As minhas pernas tremiam neste momento. Saímos para dar uma volta na vila, quem é que tinha sono depois deste choque de adrenalina? Vemos na televisão de um café que o epicentro tinha sido a 20kms dali. As vítimas conhecidas até ao momento, quatro, tinham morrido de ataque cardíaco.

Fui dormir com o sono leve e sempre que a carrinha abanava por alguém se mexer eu já estava a sentir um tremor de terra, um bocado dramática, eu sei!
No dia seguinte, o Ivo aproveitou para surfar e eu fiz uma prainha. Novembro é época de chuvas na Costa Rica, nada de mais,e a temperatura é sempre agradável. Fomos conhecer algumas praias: hermosa pelo seu areal extenso e Biesanz foram as que mais gostamos. Biesanz exige uma caminhada de 5 minutos, não tem ondas mas tem paz e fica no meio da vegetação. Passamos os dias seguintes em indecisões e acabamos por ficar por Jacó e surfar mais um bocado. Neste passeio que fizemos ainda fomos a um bar inusitado dentro de um avião que foi usado na guerra civil da Nicarágua.

As ondas são ótimas aqui, perfeitas. O Ivo surfou durante quase uma semana seguida, a Duna correu atrás de iguanas gigantes numa despedida da vida selvagem e quando chega para as apanhar abranda, os esquilos vão para cima do mamute e aproveitamos aquele cantinho.

Costa Rica, Pura Vida.

Nicarágua, a maior surpresa

O Ivo já tinha ouvido falar da Nicarágua pelo surf, um amigo disse-lhe que a Nicarágua era a Costa Rica há uns anos atrás. Mas como também não tínhamos ido à Costa Rica éramos duas tábuas-rasas.

Chegamos de noite a León e ficamos no primeiro sítio que nos apareceu. Ao não conhecer a cidade também não queríamos arriscar a dormir na rua. Acordamos de manhã e fomos passear por esta cidade, com mais de um milhão de habitantes e que é conhecida pela sua catedral. Estivemos na praça principal, rodeada de escolas, na hora de almoço, a apreciar a vida. Cruzamo-nos com um overlander do Paraguai que tinha a carrinha pintada com as mãos das netas. E seguimos viagem para Managua.

 

Fomos à televisão da Nicarágua, falar sobre o projecto. Não nos prolongamos já que não vimos nada de muito interessante para fazer e as praias de surf esperavam por nós. E fomos conduzindo para Sul.

Paramos em Granada, outro marco da Nicarágua. A cidade é mais pequena do que León, mas dada a sua localização central no país está cheia de turistas. Procuramos um sítio onde pudéssemos ficar no carro mas que tivesse internet para procurarmos um casamento. Acabamos por ir parar à Casa Barcelona que apesar de não ser central, foi um local onde nos sentimos muito em casa.  Como não tinham hóspedes, fizeram-nos um bom preço para ficar num dos quartos e aproveitamos. Sentimo-nos tão bem que ficamos praticamente uma semana. Descasamos, procuramos o casamento e estivemos alí a usufruir de casa e da companhia das senhoras que lá trabalham. Adoraram a Duna e não se importavam que ela ladrasse ou corresse. Em Granada visitamos as igrejas, vimos como era a vida na praça e deliciamo-nos com algumas iguarias locais como Gallo pinto – arroz misturado com feijões.


No dia antes de sairmos fomos ao vulcão Masaya. Desta vez não tivemos que caminhar durante horas. Um 4×4 levou-nos até ao topo, e podemos ver o que prometia a viagem: lava. É mesmo possível olhar para dentro da cratera do vulcão.

No dia seguinte, de manhã, saímos  em direção ás praias e se até agora os Nicas (abreviatura local com que os nicaraguanas se chamam) já estavam no nosso coração por toda a amabilidade e calor com que nos receberam, toda a Nicarágua passaria a fazer parte dos nossos países preferidos. Visitamos a nossa primeira praia, praticamente deserta, com um pequeno restaurante que servia uma deliciosa comida e com boas ondas para surfar. Dali passamos por Rivas, também esta vila mesmo ao lado do lago e podemos ver a ilha de Ometepe.

Mas seguimos para San Juan del Sur para uma ruenião onde nos conseguiriam um casamento. Em San Juan ficamos a dormir na carrinha mas a usufruir das instalaçoes do Hostal coconut. No primeiro dia comemos lá num churrasco que organizam: frango de churrasco, gallo pinto, platano frito e uma salada com repolho. Mas depois calcorreamos à vila de San Juan e descobrimos tantos sítios lindos e apetecíveis.

A vila tem uma vibração mesmo calma e feliz. Cheia de surfistas que ora vieram para cá morar ou estão a passar uma temporada. Não faltam lojas de surf, e cafés do mundo abertos por argentinos, italianos, canadianos, espanhóis…. Mesmo em cima da praia, à vida prolonga-se para o areal, mas aqui não há tantas ondas para surfar.  Contudo as melhores praias ficam nem a 5kms.

No sábado chegou um cruzeiro que embora enchendo está pequena vila com viajantes com outro perfil nunca lhe tirou o encanto. Partimos no mamute para ver as praias: Hermosa era linda, com um areal extenso e por momentos sentimo-nos em Ibiza com toda a movida que a praia tinha; El coco foi perfeita, sem ninguém e um por do sol para lá de mágico; e El remanso a que estava mais perto de nós foi a junção de tudo o que procurávamos: um local calmo, com um café com internet, a 5km de distancia e com boas ondas. Fomos lá 3 dias para surfar. E até eu podia ter experimentado ter lá umas aulas de surf, já que apesar das ondas, a realidade é que era tão baixinho que teria pé. As estradas para chegar às praias não são as mais acessíveis, é mesmo preciso passar por cima de rios. Mas como não era época de chuva o caminho, embora lento, fazia-se bem.

No meio de tudo isto foi noite de lua cheia e com ela vieram centenas de tartarugas para a praia Flores, estes momentos são chamados de “arrivada”. Flores é umas das 7 praias da América central onde as tartarugas vem deixar os seus ovos. Aproveitamos para lá ir no domingo e foi outro daqueles momentos em que nos sentimos incrivelmente afortunados. As tartarugas chegam durante a noite, depois das 20h00. A maioria tem mais de 50 anos. A praia está deserta, apesar de ter alguns militares encarregues de as proteger . Com um areal extenso, é fácil andar de um lado para o outro e ver o rasto das tartarugas na areia para as encontrar. Só podemos ir com lanternas ou luzes do telemovel vermelhas, eles mesmos colocam um filtro na luz. Assim não incomodamos as tartarugas. Elas veem e com a cauda escavam um buraco com 50cms de profundidade onde depositam os ovos. Dali a 50 dias todas as tartarugas bebes saem juntas em direção ao mar para aumentar as suas chances de sobrevivência.

 

Saímos da Nicarágua só porque já tínhamos um casamento marcado na Costa Rica e não queríamos falhar.

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Subir o Acatenango

As emoções a escrever este post são tantas que nem sei por onde começar. Estivemos em Antigua uma semana, e fomos vendo pessoas no hostel onde ficamos a sair para subir o Acatenango. Informamo-nos, vimos uns vídeos e sabíamos que era uma oportunidade única. Ao subir o Acatenango podíamos subir um vulcão mas o melhor era a vista priveligada para outro vulcão ativo: Fuego.

No dia em que estávamos mesmo para ir, entrou pela porta do Hostel um casal de Portugueses que estão a viajar do Alaska até ao Chile. Também queriam subir a um vulcão e decidimos ir no dia seguinte. Confesso que tinha saudades da falar e dar umas gargalhadas em Português. Decidimos todos juntos fazer esta caminhada ao Acatenango.

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Havia duas hipóteses: subir o Acatenango em dois dias, há grupos que sobem durante o dia, levam tendas, sacos cama, comida e lenha e ficam lá em cima no topo, descendo no dia seguinte ou subir com um guia e descer no mesmo dia. Como o melhor é ver o nascer-do-sol, não queríamos andar a transportar lenha, e sabíamos que levar a Duna seria um stress, optamos pela segunda. Que ingénuos.  Eram 23.30 quando iniciamos a subida, o nosso guia, experiente, e que recomendo a qualquer pessoa que venha, o Sr. Alberto, disse que subíamos em 4 horas e se subíssemos mais cedo íamos ter que esperar muito tempo pelo amanhecer e lá em cima fazia muito frio. Tínhamos vestido: camisolas térmicas, casaco de capuz, e um kispo. Alugamos um pau para nos ajudar a subir e descer. E começamos.

Os primeiros 20 minutos foram um inferno. Todos pensamos em desistir. A subida era muito inclinada e logo de seguida outra não tão inclinada mas super escorregadia. Estamos a subir um vulcão, portanto a encosta é areia vulcânica. Era como subir uma duna na praia, com as sapatilhas a enterrarem-se e cada dois passos em frente dávamos um para trás. Pensei em desistir. Mas depois ficou plano por 2 minutos e aliviou a caminhada. Olhei para o relógio tinha passado uma hora.  O trajeto seguinte foi sempre, sempre a subir, muito inclinado. Não víamos nada por ser de noite, ouvíamos vozes de pessoas que seguiam atras de nós. Não éramos os únicos malucos. Fizemos uma primeira pausa para umas bananas e os nossos amigos portugueses para um quadradinho de chocolate.

Não sei o que estava naquele quadrado de chocolate mas depois disso, eles começaram a subir a um ritmo muito rápido comparado com o nosso, ou o meu. Até os chamamos de “os flechas”. O Ivo ficou comigo e lentamente fomos ficando para trás. No proximo local de paragem nem guia, nem eles. Continuamos a subir ao meu ritmo, lento, lento, lento. Olhei para o relógio e já eram 2 da manhã. Deveria faltar 50% mas a este ritmo devíamos estar a 25%. De repente encontramo-nos com o Alberto. Deu indicações para eles seguirem e veio ter connosco. Paramos noutro descanso para umas bolachas e uns rapazes vendiam café. Disse ao Ivo o que já lhe tinha dito umas 20 vezes naquele trajeto: “vai tu, a sério, não percas isto. Eu vou para baixo. Há muita gente a subir e não me vai acontecer nada.” Mas ou íamos os dois ou não ia nenhum e lá me fui empurrando um pouco mais.


Nunca mais vimos os flechas e o guia começou a ficar preocupado, porque se se perdessem facilmente podia começar a subir o vulcão errado e neste caso seria o Fogo, activo. Viu que eles tinham seguido pelo lado mais longe, deu-nos indicações e foi ter com eles apanhando-os à frente. Ao chegar ao final desse trajeto íamos ter duas hipóteses, ou subíamos até ao cume, mais uma hora e trinta minutos, ao meu ritmo talvez um pouco mais de duas horas ou seguíamos para o sítio mais próximo para ver o Fogo, a uma hora de distância.

Claro que optamos pela segunda opção, eu já tinha chorado três vezes. É uma luta constante da mente com o corpo, tentava abstrair-me do caminho, pensar em coisas divertidas, media se era mais cansativo subir aquilo ou fazer um casamento,… e um lado do cérebro sempre a dizer: tu não consegues, és burra, olha no que te foste meter, e agora vais ter que descer isto tudo,… e o outro a pedir: só mais um bocadinho, não falta nada.

Nesse percurso em que fomos deixados sozinhos pelo guia sentamo-nos umas 6 vezes, na última alcançou-nos outro grupo e perguntamos ao seu guia quanto faltava para chegar ao sítio onde o Alberto nos esperava. Eles são mesmo incríveis e para nos dar alento vão mentindo ao longo do caminho, 5 minutos e estão lá. E nós, com coragem, ok são só mais 5 mas passaram 20 até lá chegarmos. Eram 4.30 e ainda nos faltava a última hora.


O guia esperava por nós com uma fogueira acesa. Os nossos companheiros desta grande aventura já tinham ido para o topo. Chega o grupo que já nos tinha alcançado e tentam convencer-nos a ir até ao cume com eles. Não cedemos. O Alberto diz que agora a próxima hora é tudo plano e que não vai custar nada. Não era assim tão plano e tívemos que trepar por cima de rochas. Quase a chegar ao local, ainda de noite e ouvimos o vulcão. Já o tínhamos ido ouvindo mas nada assim, de repente o Alberto diz: corram, apressamo-nos e vemos uma enorme explosão de lava a escorrer pelo vulcão. Chorei pela quarta vez. Que privilégio, quanta emoção. Esta imagem de ver um vulcão a explodir vai perdurar no tempo. A natureza a mostrar todo o seu poder, a dizer “vocês são mesmo pequenos”.


Em nada tínhamos chegado. Já quase não se viam estrelas, o sol já começava a nascer, o vulcão ainda nos brindou com algumas explosões mas nenhuma tão grande e tão incrível.  Eram 6h da manhã quando começamos a descer. Para quem já fez parte do caminho de Santiago, o Cebreiro é quase do mesmo tamanho deste vulcão, de 3976m, e sabe que o pior nem sempre é a subida mas a descida a Tricastela. Por isso ia preparada para o pior.

Esperamos pelos nossos amigos, estavam a descer desde o topo. Adoraram, mas dizem que o final foi de loucos, tinham que subir praticamente de gatas. Vamos descendo, devagar, a travar, com os paus a segurarem-nos, a cair de cu. Paramos aqui e ali. A descida revela-se interminável, não se avistava o final. Aí agradeci por ter subido de noite e não ver o caminho que estava à minha frente se não acho mesmo que tinha desistido. Vamos perguntando ao guia como crianças numa viagem de carro: e agora quanto tempo falta? E agora? E agora? E ele vai mentindo, nunca sai de uma hora. Diz que vamos muito devagar.

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Climbing a volcano

Chegamos aquela subida em que dois passos para a frente era um para trás, e aí foi sempre a cair. Estava tentada a descer deitada. Não tinha fim, voltei a chorar de raiva por ter concordado em fazer isto. Gritei que não tinha valido a pena o esforço, que foi incrível ver o vulcão mas que esta tinha sido a coisa mais dolorosa que já tinha feito.
Finalmente chegamos, eram 10h00 da manhã. Demoramos 11h00, talvez tenhamos sido os mais lentos alguma vez a fazê-lo. Mas hoje sinto um orgulho enorme em ter conseguido, em termos conseguido juntos. As melhores coisas da vida estão mesmo escondidas nos nossos maiores pesadelos.

Pelo caminho descobrimos que é possível subir a cavalo por 50€ por pessoa. E sinceramente, recomendo. Nós pagamos todos pelo guia 35€, e acho que o Sr. Alberto tem o trabalho mais difícil do mundo, ele orgulhoso diz que não lhe custa nada subir aquilo e que o faz 3 vezes por semana. 47 anos, sem problemas de joelhos e com muita força. Se vierem para estes lados falem com ele

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Antigua encantada

Tínhamos o privilégio de ter um casamento em Antigua. Corremos de Tikal para lá para garantir que chegávamos na sexta-feira. Queríamos estar com os amigos que nos conseguiram este casamento.

Consoante entrávamos com o mamute por esta Antigua colonial, a não mais de 10km/h graças à bela da calçada, só se ouvia dentro do mamute “ah, que bonito”. Rodeada de vulcões, a cidade conseguiu manter os seus traços. E apesar de turística com as cadeias de fast food americanas a marcar presença, nada disso se vê já que todos estão camuflados nas suas casas coloridas com letreiros de madeira.

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Podemos caminhar por toda a cidade, sempre com os lindos sapatos da Namorarte. Não  faltam sítios para parar e apreciar a vida. O que mais nos fascinou foi o mercado. Enorme, podemos perder-nos lá dentro. Com as senhoras vestidas com mil cores a vender os seus legumes e frutas. Estreito, apertamo-nos com a Duna pelos passeios. Há de tudo, da zona da comida passamos pela roupa, gadgets,… compramos fruta e legumes para cozinhar mais tarde. Ah, as líchias, que delicia. Nunca tinhamos comido sem ser em lata.

Um conhecido no México, filho de mãe guatemalteca, disse que tínhamos que provar o frango campera. Adoramos essas missões de comida! Procuramos o restaurante. O “pollo campero” é uma cadeia da Guatemala de fast-food, parecida com o KFC. Entramos, sentamos e são os empregados que nos servem. À nossa volta poucos turistas e mesas com famílias inteiras: filhos, pais e avós. Elas com as suas roupas bordadas. 100% aprovado, comemos o frango a acompanhar com sumo de uva.

Partimos para continuar com o nosso passeio. Os turistas invadem a cidade, sentindo-se, como nós, afortunados. Aqui não há a caça ao turista como no México, as pessoas admiram e tem curiosidade. Pensamos em como gostávamos de encontrar alguns portugueses, temos saudades de partilhar umas gargalhadas na nossa língua.

Queremos subir ao vulcão mas terá que ficar para outro dia. Temos que nos preparar para o casamento: carregar câmaras, esvaziar cartões de memória, lavar roupa. Ficamos a dormir no mamute mas a usufruir das instalações do Hostal Antigueño. Pensamos que vamos ficar só duas noites, mas que ingénuos. Antigua agarrou-se a nós e ficamos uma semana. É ótimo estar aqui.

Aproveitamos para depois do casamento descansar.  Tinhamo-nos perguntado como seria a política aqui, as escolas, o que oferecem ao povo. Os preços são muito parecidos aos praticados em Portugal para as coisas do dia-a-dia. Mas as pessoas vivem, na sua maioria, na pobreza. O noivo conta-nos que os polícias são corruptos aqui também, como no México. Mas ao contrário do México onde os polícias até com os turistas são corruptos aqui existe uma certa admiração pelos estrangeiros. Nunca nos sentimos ameaçados e  explicam-nos que o problema de violência na Guatemala são os vizinhos. Ou seja, se uma pessoa tiver algum dinheiro os vizinhos sabem e vão assalta-lo. É comum, por isso quem tem mais posses econômicas andar armado para se defender. No casamento a que fomos vemos pelo menos 10 homens que carregam a sua arma no cinto, com muita naturalidade. Antigua escapa a esse estereótipo de violência. É preciso ter cuidado mas nada comparado com o que se passa na capital do país. Onde as pessoas se habituaram a andar com um telemóvel para o ladrão e um verdadeiro, explica Kimberly que já foi assaltada na cidade. A escolaridade não é obrigatória, se os pais não tiverem hipótese de levar os filhos à escola não levam.

Deixamos para descobrir o resto da cidade na segunda-feira. Subimos ao “cerro da cruz” e vemos o vulcão de água à nossa frente e a cidade aos nossos pés.

Aqui não faltam hotéis de charme, mas ao mesmo tempo, restaurantes com ótimos preços. As lojas de artesanato são de perder a cabeça e a vida na praça prolongam-se.
Vamos comer um gelado e uma menina vem ter com a Duna. Faz-nos rir com os seus olhos de criança, tão puros enquanto vai respondendo às nossas perguntas: que idade tens? também tens cães? Senta-se connosco sem pedir nada, vai dando migalhas à Duna e quando terminamos quer limpar a nossa mesa e levar as coisas ao lixo. Saímos e procuramos a sua mãe para perguntar se lhe podemos dar um gelado. Ela está com gripe por isso é melhor não. Ficamos com uma cara tão triste que a mãe sugeriu que lhe déssemos o equivalente a 20centimos para comprar uma guloseima que ela gosta.

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Walking in Antigua streets

Ficamos mais uns dias pelo hostal para colocar o blog em dia é tratar algumas fotos. Informamo-nos sobre o desafio de subir a um dos vulcões. Pela sua magia o de Acatenango é o que mais nos chama a atenção. Vou ver a altitude e é só um bocadinho mais alto que o Cebreiro. Do qual faz parte o caminho de Santiago espanhol e que eu já subi. Sei bem o horrível que foi, mas o pior foi descer. Mentalizamo-nos para ir.

Enquanto não o fazemos, vamos conhecendo esta cidade charmosa. Aproveitamos para uma visita ao mecânico e para um check-up. O frio que se sente à noite é ótimo para dormir e isso contribui para que não queiramos ir embora. Passeamos pelas ruínas, vemos as casas. Entramos nos cafés que se prolongam para pátios interiores com jardins e fontes. Não há nada para não gostar aqui. A Duna é bem-vinda na maior parte dos sítios. Podemos caminhar pra todos os lugares. O acesso aos legumes frescos permite-nos cozinhar como em casa.

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Picking fruit

Quem me dera que pudessem todos vir a Antigua. Se vierem não deixem de:

1 – visitar as ruínas;
2 – perderem-se pelo mercado;
3 – comer um gelado na praça central e subir à varanda da câmara municipal para umas boas fotos;
4 – admirar os vulcões e para os corajosos subir a um. Para subir ao Acatenango aconselham as pessoas a dormir já quase no cume e estar lá pra o nascer do sol. Se o que procuram for um plano de família então subam ao Pacaya. É uma caminhada mais curta e pode ser feita no mesmo dia;
5 – subir ao cerro da cruz, tem escadas e em menos de 30 minutos pode ver a cidade toda;
6 – experimentar a comida Guatemalteca e principalmente o café.