Bangkok ao rubro

Chegamos  a Bangkok sonolentos de uma longa viagem de 12 horas desde Koh Pangan. Tínhamos marcado o local onde íamos dormir pelo booking e visto que estava numa zona recomendada mas não fazíamos a mais pequena ideia onde era. Saímos do autocarro, olhamos para o GPS e estávamos a uma pequena distância a pé do hotel, mal dobramos a esquina sentimos que tínhamos entrado num filme. Estávamos em Koh San Road, atrever-me-ia a dizer a rua mais movimentada do mundo. Era música alta em todos os bares, vendedores de comida de rua por todo o lado, pessoas a dançar, turistas, mochileiros, locais,… no trajeto até ao hotel vimos de tudo, de tudo mesmo. não estivéssemos nós na terra dos lady-boys, Bangkok.

O hotel, um modesto hostel, onde tínhamos quarto com casa de banho individual seria o nosso refúgio da cidade durante os próximos dias. E era tão feio o nosso quarto que nos parecia querer empurrar para aquela cidade.
Sempre gostei mais de visitar cidades que não tem obrigatoriedades… “ui, se vais a Roma não podes falhar o coliseu, e Paris: corre já para a torre Eiffel, são sítios belos mas perdermo-nos numa cidade é o melhor de tudo… E assim fomos conhecendo Bangkok, sem obrigatoriedade e sem pressa. A cidade assusta-me parece que podemos ser engolidos por ela e que nunca ninguém nos encontrará se nos perdermos. Lembram-se do filme “A ressaca 2” eles dizem mesmo isso do cunhado do Stue… perderam-no? Agora é a cidade que o tem, podem não voltar a vê-lo…

De dia visitamos a cidade: o Buda deitado, o crematório, os templos impressionantes, limpos, cheios de significados, fomos aos centros comerciais, mercados fora e dentro da cidade e à noite voltávamos sempre aquela rua onde tudo se pode passar. Optamos por viajar em Tuk-Tuk, aprendemos a arte de negociar, não pagamos mais de 2,5€ para ir a qualquer lado. E la íamos numa viagem que nos permitia ver mais da cidade mas que se tornava incomodativa pelo bombardear de cheiros diferentes, muitas vezes maus e da poluição que nos consumia os pulmões .
Não houve um dia que conseguíssemos ver o sol a brilhar claramente, a nuvem de poluição é tão densa.

 

A cidade tem carisma, personalidade, se lhe tivesse que atribuir uma personagem seria um monge adolescente; porque tem sabedoria, tem os conselhos dos ancestrais mas tem um espírito jovem, de liberdade, de “faço o que eu quero” e de descoberta.

Tivemos dois dias diferentes: um em que aproveitamos para ir ver o Star Wars em 4d, foi uma experiência fantástica, e as salas de cinema um verdadeiro luxo e outro em que saímos fora da cidade e fomos conhecer dois mercados.
O mercado do comboio, onde as pessoas se alinham com as suas tendas ao longo da linha e sempre que o comboio passa, várias vezes por dia, eles retiram tudo e voltam a colocar depois do comboio… parece magia. O mercado apesar de carregado de turistas é ainda um sítio verdadeiro e eu ainda levei um pequeno murro na perna de uma velhinha que queria fazer as suas compras e só queria que eu lhe saísse da frente. Turistas malditos!
Depois fomos para o mercado flutuante, este pareceu-nos mesmo só para turistas, mas a zona é impressionante porque é uma vila sobre a água e aí sim podemos ver como vivem as pessoas fora da cidade.

E no meio de tudo isso ainda houve tempo para comer, e comer muito bem. Se há pesquisa que faço antes de ir para um sítio é os lugares para ir comer. E nem de propósito há 10 dias atrás a senhora Jay Fai havia ganho uma estrela Michelin. O primeiro restaurante de rua em Bangkok a ter esta distinção, juntando-se assim a outro na Singapura e  no Japão. E nós fomos, claro que fomos.

Só que o condutor do nosso Tuk-Tuk deixou-nos uns 50 metros à frente e quando vimos uma enorme fila achamos que seria aquele e à bom português lá fomos nós para a fila. Lembram-se deste sketch do gato fedorento? Foi mais ao menos isto. Vimos que a especialidade era Pad-Thai e pedimos, mas achei estranho porque tinha lido que se faziam outros pratos. Foi quando já estávamos a comer que vi que o nome nada tinha a ver com o outro sitio. Mas era delicioso.

Andamos um bocadinho mais e lá estava a senhora, a cozinhar com os seus óculos de mergulho. Num restaurante sem manias, sem placas, sem pretensões, e sem grande fila. Isto porque as pessoas têm que dar o nome e esperar pela sua vez. No dia seguinte chegamos lá eram 4h da tarde e já havia uma lista de espera de 2 horas. A senhora é que confeciona todos os pratos, apenas com uma ajudante e por isso pode demorar.
Foi um sonho tornado realidade, ir a um restaurante com estrela Michelin. Comemos muito: 4 pratos mas queríamos aproveitar para provar todas as especialidades e não ficamos nada desiludidos. Este pessoal da Michelin realmente sabe o que faz. O sítio está limpo mas a senhora cozinha mesmo na rua, com os seus óculos de mergulho por causa dos fritos. Pagamos 50€ os dois, bebemos duas cervejas de meio litro cada e pedimos duas das especialidades mais outros dois que nos pareceram bons de mais. Sabemos que isto só é possível em locais como Bangkok, em que a comida de rua é mesmo uma instituição.

Acabamos por saltar alguns sítios de comida que eu tinha visto porque ou eram muito longe ou depois não faziam sentido como este do maior gelado de sempre com 20 bolas de gelado. Ainda passamos à porta mas para duas pessoas eram ridículo. Ficará para uma próxima vez.

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