A América, um continente de amores

Ficou tanto por ver neste Continente, o Novo Mundo,  como muitos lhe chamaram. É difícil resumir o que se passou nestes 5 meses. Algumas coisas foram tão boas de tão vividas que nem fotos temos para partilhar, estávamos muito ocupados. Na América não poderíamos escolher um destino, um país, uma zona, uma experiência. Foi tudo junto que nos deu estes 5 incríveis meses. Em cada país, como país aprendemos coisas:

Canadá –  caramba, vocês sabem fazer as coisas. Um país seguro, com pessoas felizes, onde se pode viver com conforto. Onde há um sistema social. A natureza é uma prioridade. Um exemplo de país desenvolvido, não fosse o frio, e a falta de locais para surfar (aquela onda em montréal não conta) e íamos para lá morar. O país mais completo da América

Lake, Ramsey, Fujifilm, worldyouneedislove. Sudbury
Lake Ramsey Sudbury

Estados Unidos da América – uma surpresa, completamente capitalista este país faz-nos ver o caminho que não devemos seguir. Somos fãs de algumas teorias da conspiração. Percebemos que eles não vão por um caminho saudável quando os restaurantes das aldeias mais pequenas não se chamam: café Central, ou restaurante central mas sim McDonalds, Pizza Hut, BurguerKing,… mas tem uma riqueza cultural única. No mesmo país, na mesma Costa, cidades como: Nova Iorque e Nova Orleães conquistam. Sem falar dos parques, das montanhas do estado de Nova Iorque, do interior do Louisiana, do Alabama,.. Aqui havemos de voltar, temos que ir à Costa Oeste. O nosso primeiro casamento: num país tão grande, tivemos um dia tão intimista, sentimos que fizemos dois amigos: a Lipaz e o Reem.

Worldyouneedislove, Fujifilm, New York State

México – com uma cultura imensa, um país que poderia ser riquíssimo pelos seus recursos, pelas suas pessoas. As paisagens do Norte são de cortar a respiração. O centro fervilha de vida que se sente em cidades como Puebla. E o Sul, tão tranquilo, com pessoas tão calorosas: o Jorge, o Pedro,  os amigos que fizemos em Bacalar. As estradas não foram as melhores mas ficou como um país onde mais estivemos com os locais. Onde também mais nos sentimos um deles, e o casamento. Bem, o casamento foi a maior diversão, dois dias de festa. Uma tradição que queremos ver em Portugal, afinal a vida são dois dias, e festa é festa!

Belize – ficamos tão pouco tempo, e com tanta vontade de conhecer mais, mas principalmente de comer mais comida caribenha. Serviu como convite para ir explorar o Caribe. Quando cruzamos a fronteira quer  do México, quer  da Guatemala sentimo-nos logo noutro lugar. As pessoas são mais altas, de outra cor, falam inglês, e tem um sorriso de calma e tranquilidade que nos extasia.

Guatemala – o tempo ameno convidou-nos a ficar mais tempo. Tikal foi um património incrível que exploramos com toda a sua vida selvagem, percebemos porque é que os Maias escolhiam viver aqui. E Antigua que se agarrou a nós, fizemos amigos. Passamo-nos pelas suas ruas e tivemos a nossa prova mais difícil: o Acatenango.

Walk, Worldyouneedislove, Fujifilm.
Walking in Antigua streets

El Salvador – país pequeno, conquistou-nos pelas estradas e pelo surf. Na estrada havia sinais: cuidado com os surfistas. Só pode ser um bom país. Mas sabemos que essa não é a realidade do resto da país, afastado da Costa enfrenta graves problemas, mesmo assim sentimo-nos seguros e tivemos lá dois dias.

Honduras – não passamos nem um dia aqui. Pareceu-nos muito inseguro, com crianças a pedir na rua. Lemos guias e haveria coisas bonitas para ver, mas não o suficiente para arriscar. Conduzimos durante 8 horas neste país, paramos para almoçar e esperamos não furar nenhum pneu.

Nicaragua – uau! Sabem aquela pessoa que deixou tudo e abriu um bar na praia. Estivemos quase a ficar aqui. Este país, com um governo socialista, e com vizinhos tão problemáticos como as Honduras, está a dar a volta. Saiu recentemente de uma guerra civil, e soube como dar às pessoas o que elas precisam. A saúde e a educação são gratuitas. Durante anos pagou cursos a adultos para gerar emprego. Vimos pessoas a ter aulas de inglês à noite. Sentimo-nos seguros. Pessoas muito boas, e praias por descobrir, com ondas para surfar. Vilas com cultura e uma vibração tão positiva no ar. Já dissemos que podíamos morar aqui?

Costa Rica – acabamos por ficar aqui mais tempo do que o planeado, não nos movemos muito porque o surf estava bom de mais e uns dias de conforto também faziam falta. Com muitos Americanos e Canadianos, aqui vimos que era possível ter uma vida mais confortável, mas por outro lado sentimos já alguns turistas a mais e voltaram às cadeias de fast food. Os preços estão inflacionados para o que realmente valem. Adoramos que seja um país que se preocupe com a sustentabilidade e podemos ver animais incríveis, como passar por cima desta ponte cheia de crocodilos.

Não fomos ao Panamá. Já que não íamos enviar o carro não valia o stress de passar a fronteira. Li que algumas vezes pedem quarentena para os animais. Era hora de seguir para outros caminhos.

Bem, e ficou toda a América do Sul por visitar. E com isto acrescentamos um desejo à nossa lista. Fazer a América do Sul daqui a 10/15 anos, da mesma forma, de carro. Fazer o Brasil de Norte a Sul, pelo interior, e pelo litoral, cruzar o Equador, subir às montanhas do Peru, ir ao Salar da Bolívia, descer pelo Chile para a Patagônia e subir por Buenos Aires e Mendonza. Aí, as senhoras que deixamos de ver, as iguarias que não provamos, o sol do Brasil que não sentimos a queimar-nos a pele, as maravilhas do mundo que não vimos, as paisagens que não nos tiraram o fôlego. Foi difícil decidir, e ainda hoje não sabemos se fizemos a escolha certa. Por isso está marcado na nossa bucket list o regresso. Esperam por nós para fazermos isto juntos?

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