Natal fora de casa…

Este Natal trocamos a casa pela descoberta, trocamos o miminho da família pelos sorrisos dos desconhecidos. Não vamos ter bacalhau, batatas cozidas, nem azeite, vamos ter pad Thai, arroz e soja. De todos os doces o único que encontramos por aqui é o arroz doce mas os tailandeses chamam-lhe sticky rice e juntam-lhe manga. Não vamos ver os mesmos filmes de sempre, vamos sim contemplar uma cidade nova, os monges vestidos de laranja nas suas tarefas, as senhoras a prepararem-se para mais um mercado.

A lareira e o aquecedor não fazem falta este Natal, não fizemos o pinheiro e contam-se pelos dedos de uma mão o número de pinheirinhos que vimos. Felizmente aqui não se celebra e por isso também não vai haver espaço para nostalgias! Não compramos um único presente de Natal e também não pedimos nada no sapatinho, depois de toda a bênção que estamos a ter por estar aqui agora, seria uma ousadia pedir mais qualquer coisa ao Pai Natal.

Este Natal trocamos o pijama polar por um biquíni, não porque vamos para a praia mas porque já não temos mais roupa lavada. Trocamos os jogos de tabuleiro por um passeio no mercado e enquanto estiverem a cear nos já estaremos a dormir e quando o pai Natal chegar a Portugal, religiosamente à meia-noite aqui já serão 7 da manhã e voltaremos a trocar o pequeno almoço de pão-de-ló de ovar com queijo da serra e restos dos bolos da noite anterior por mais umas torradas. Vamos trocar as tradições com os amigos por chamadas de skipe, e a ida aos avós por um WhatsApp com direito a vídeo. Vamos trocar as conversas prolongadas sobre tudo e sobre nada pelo silêncio de sabermos que é só um Natal e que para o ano celebramos em dobro.

Não vamos ficar triste porque foi o que escolhemos, mas se pudéssemos pedir um desejo seria o de que todos viessem aqui ter connosco. Não me venham com histórias de que o Natal deve ser frio. O Natal quer-se quente, cheio de calor humano, de um sofá a transbordar de gente, de mantas pelo chão para caberem todos. Quer-se quente de abraços apertados e da adrenalina que nos aquece as veias ao abrir aquele presente que tanto ansiamos ainda que não seja surpresa nenhuma. Deve estar a ferver quando provamos as batatas para ver se estão cozidas, ou quando bebemos aquele último copo de vinho do Porto.

E é isso que desejamos a todos, um Natal muito quente!

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