Passagem para outro lado do mundo

Para quem nos segue no instagram viu pelas nossas stories que um dia estávamos na América Central passado uma semana já estávamos em Doha e depois na Tailândia. Como?

Quando começamos está viagem tivemos logo uma lição de paciência ao ficar 15 dias à espera de peças para o carro num parque de estacionamento. E isso ensinou-nos que tínhamos que ter calma e ir devagar. Com o nosso mamute percorremos estradas do Canadá até à Costa Rica e demoramos 5 meses. Pelos nossos planos só teríamos mais um ou dois meses, no maximo, para fazer a América do Sul. Ou então deixávamos de lado a Ásia e conhecíamos toda a América. E depois veio uma oferta para comprar o mamute na Costa Rica.

Pensamos muito, mais de três dias em que só falávamos disto. Perguntamos à nossa família, aos amigos mais próximos, a viajantes profissionais como o Filipe Morato Gomes e aos colegas do curso de escrita de viagens, o que é que eles achavam que devíamos fazer.

  1. Vender a carrinha na Costa Rica e seguir para a Ásia, deixando a América do Sul para outra altura.
  2. Seguir para a América do Sul, o que poderia comprometer a viagem à Ásia, já que teríamos alguns custos extra, o tempo não estica e podíamos não conseguir vender lá a carrinha. No Brasil as leis de importação são proibitivas e teríamos sempre que vender no Chile.

Ponderamos, e ouvimos. Eis os argumentos para uma e outra decisão:

  • A América do Sul é imperdível, e tem paisagens únicas, mas culturalmente apesar de diferente nunca seria tão diferente como a Ásia.
  • Já estivemos ambos no Brasil, eu na Colômbia e o Ivo no Peru e nenhum dos dois conhecia a Ásia. Se tivéssemos que abdicar de um continente para conhecer qual seria?
  • Poderíamos viajar pela América do Sul mas só em Março estaríamos a ir para a Ásia e isso iria comprometer visitar alguns países.
  • Através da aplicação iOverlander vimos que apesar de só se falar de violência no México a realidade é que no Peru foi onde vimos mais sinais de exclamação de pessoas a dizerem que foram assaltadas.
  • Enviar o carro do Panamá para a Colômbia é um stress e toda a gente se refere a este momento como o pior de toda a viagem pan-americana. É preciso ir para o porto, tratar de papéis, arranjar alguém que partilhe um contentor, sair do Panamá de avião ou fazer um cruzeiro pelas ilhas San Blas. Chegar à Cartagena e voltar a tratar de burocracias durante dois dias. O processo demora quase 2 semanas.
  • A Ásia é um ótimo destino para backpacking, seguro, com bons preços e se não fôssemos agora numa viagem de mochila às costas, com dormidas em hostels dificilmente voltaremos a ir.

Mas, por outro lado…

  • Ir para a Ásia significava deixar a Duna em Portugal. É difícil passar algumas fronteiras onde exigem períodos de quarentena de 7 dias. Outros são perigosos com raiva. Nós gostamos mesmo muito da Duna e nunca a submeteríamos a nada que lhe pudesse fazer mal.
  • Deixar o mamute. E esta vida de vanlife. Gostamos mesmo de viver num carro durantes estes 5 meses. O mamute é perfeito, vocês viram o espaço todo que tem. Podemos cozinhar. Os bancos são super confortáveis para conduzir… e depois chegamos aonde queremos com ele. Podemos ir de aldeia em aldeia, parar para fotografar uma paisagem. Dormir numa bomba de gasolina quando estamos cansados.
  • Não visitar: Equador, Buenos Aires, Minas Gerais e outros recantos do Brasil….

Se a realidade é que para a Ásia os voos são mais baratos, por outro lado, sabemos que conseguimos umas boas viagens para a América do Sul em qualquer altura, com companhias a viajar para o Brasil e que por nos ser tão querido este é um país onde nos imaginamos a voltar várias vezes. E porque não voltar a ter uma vida de van life mais tarde e ir até à Patagônia?

Claro que pensamos em não fazer nada disto, pegar no dinheiro e enviar a carrinha para Portugal. Mas os custos de importação para um carro tipo autocaravana, com este motor eram de 16.000€. Nem nos nossos maiores sonhos era possível.

Aproveitamos o dinheiro que iríamos gastar a enviar o carro e compramos as nossas passagens áreas. Da Costa Rica não há voos diretos para Portugal, por isso e como não queremos escalas por causa da Duna. Compramos um voo para Newark, ficamos 3 dias em Nova Iorque a aproveitar a cidade numa altura em que já só cheira a Natal e daí fomos para Lisboa com a TAP.  A ideia era aparecer de surpresa em cada, mas a TAP tramou-nós e cancelou o nosso voo quando já estávamos no aeroporto e com a Duna dentro d avião. A experiência foi terrível, porque não tivemos nenhuma assistência já que viajamos com uma cadela. Mas não vos quero maçar com isso. Chegamos a casa na quarta e sairíamos no sábado.

A Duna ficou em Portugal, entre muitas lágrimas minhas. Se é preciso uma vila para realizar um sonho, pedimos ajuda a várias pessoas. Vai ficar com a mãe do Ivo, que vai ter muito trabalho em juntá-la ao Pancho, o gato!  vai ter um passeio todos os dias com os fantásticos do Patas&Patinhas. Se, por acaso, começar a ficar muito triste, que esperemos que não aconteça… voltamos para casa. Ela é mais importante do que qualquer sonho nosso. (Update, já estamos cá há mais de duas semanas e não tem saudades nenhumas nossas. Que bom).

E quanto ao mamute, bem… estamos na viagem para colecionar momentos e não coisas por isso que de muitas alegrias aos seus novos donos.

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